?

Log in

No account? Create an account

despedida de solteiro
rosas
innersmile
A única triste vantagem da trapalhada em que o Partido Socialista se meteu a propósito das propostas de alteração do Código Civil para reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo, é clarificar (se tal fosse preciso) a matéria de que é feito o principal partido de esquerda português.

Não tenhamos dúvidas de que a única razão pela qual a direcção do PS não pretendia este debate neste momento é porque acha que a aprovação do chamado casamento entre homossexuais, ou tão apenas a sua discussão no parlamento, é penosa do ponto de vista eleitoral. É essa a ideia que o PS, partido do governo com maioria absoluta, faz do povo português (e se calhar é a correcta): se o partido aparecer muito conotado com essa mariquice do casamento dos “paneleiros”, isso vai-lhe custar muitos votos.
O PS preferia que este debate se fizesse no princípio da legislatura, ou pelo menos até dois terços da legislatura. Por um lado fazia a parte do partido modernaço, em consonância com os seus congéneres europeus, e por outro lado daria muito tempo ao povo para se esquecer de tal bizarria.

Apesar de não ter dúvidas acerca do que pensa a generalidade das pessoas acerca dos homossexuais e dos seus direitos de cidadania, acho que o PS com esta atitude de não querer o debate e por isso pretender obrigar os seus deputados à disciplina de voto, deu um tiro no pé: pôs o país precisamente a debater o assunto. Se tivesse reagido com inteligência e sangue frio, o PS tinha dado liberdade de voto aos deputados (precisamente com o mesmíssimo argumento que usou para a negar, o de que este assunto não estava no programa eleitoral, e por isso o partido não tinha posição oficial, para mais tratando-se de uma questão mais social e de consciência do que de política).
Sendo altamente provável que a maior parte dos deputados iria votar contra, a proposta não passava, o bruaá nos media morria à nascença, e o país lá seguia a sua vidinha. Quando lhe fosse mais favorável, ou seja quando isso não lhe custasse os votos, o PS fazia aprovar a alteração ao código civil, dava uma de partido moderno e liberal, e continuava tudo na mesma.

Assim, como são uma cambada de parolos, trouxeram o assunto para as primeiras páginas dos jornais. E deram oportunidade aos disparates do costume, como o Manuel Alegre que já picou o ponto: como é do contra, desta vez é contra o casamento dos homossexuais, porque acha que o assunto não é importante, e é contra a disciplina de voto, porque sim. Ou porque não.

(Declaração de interesses: votei no PS nas últimas eleições, se as eleições fossem hoje tornava a votar, e provavelmente vou votar no PS nas próximas eleições. Basicamente porque neste momento é o único partido com condições para governar. Mas é sempre bom confirmarmos que não vale a pena ter ilusões)
Tags: