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o fauno no seu labirinto
rosas
innersmile
Vi um dia destes, pela primeira vez, o filme de Guillermo Del Toro, O Labirinto do Fauno, e fiquei maravilhado: que filme fantástico. Como é que eu não tinha ainda visto este filme?! Quer dizer, até sei: como não sou grande entusiasta do género fantasia/horror, pensava que o filme me ia dar um bocado de seca e, desde há uns anos a esta parte, ando com relativamente pouca paciência para ver cinema que não me entusiasme. Felizmente mão amiga emprestou-me o dvd e tive assim oportunidade de reparar esta falta inperdoável.
Há pelo menos duas coisas, assim que me lembre de repente, em que o filme de Del Toro é nada menos que perfeito. Uma delas, é ser uma metáfora exacta do cinema, do seu poder de alienação em relação à violência e à agressividade da vida real, da sua capacidade de construir mundos imaginários, que são leituras e sínteses do mundo concreto, que o explicam e sublimam.
O outro aspecto em que o filme é perfeito é na passagem entre os dois mundos, o real e o imaginário, ser sempre feita em absoluto contínuo, sem ruturas nem portais. Claro que há muitos outros filmes (e outras narrativas, que não apenas cinematográficas) que vivem dessa incerteza sobre se o que se está a passar é real (enfim, real dentro da ficção) ou fruto da imaginação de um protagonista. Mas há um momento em que essas histórias, até para se conseguirem resolver, para atar as pontas digamos assim, optam sempre por uma solução, no fim ficamos sempre a saber se 'aquilo' de facto aconteceu mesmo ou se foi apenas um delírio. Esta necessidade de resolução faz parte da própria lógica da história, da necessidade de lhe dar um sentido.
O que é, então, extraordinário no filme de Del Toro é o filme nunca nos dar uma pista segura se o mundo do labirinto (chamemos-lhe assim) é apenas produto da imaginação de Ofélia, da sua necessidade de evasão e de ter um lugar onde o seu sofrimento faça sentido, ou se existe como um lugar concreto, real, exterior, ainda que ficcionado, e conseguir resolver-se nessa ambiguidade, usá-la precisamente para ganhar sentido. E conseguir fazê-lo não apenas através da gestão da informação que vai passando para o espectador, mas sobretudo através da imagem, do plano, da sequência.
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