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aquele querido mês de agosto
rosas
innersmile
«Documentário? Ficção? A meio deste filme vemos uma ponte: a ponte romana de Coja sobre o rio Alva, da qual se atira Paulo “Moleiro”. Sem querer parecer Confúcio, diria que de qualquer uma das margens que esta ponte une se avista perfeitamente a outra. E que o rio é sempre o mesmo.»

Acho que esta frase de Miguel Gomes, o realizador de Aquele Querido Mês de Agosto, e que retirei do site oficial do filme, diz tudo acerca da dicotomia que tem estado no centro do debate que tem acompanhado a recepção desta obra. Só acrescentaria que a vantagem do filme, neste aspecto, é dar um tratamento narrativo a todos os elementos de que dispõe, nomeadamente aos não-ficcionais, e a mais-valia é que o faz com um humor subtil e suavemente irónico. O diálogo final entre o realizador e o director de som é, parece-me, paradigmático destes dois aspectos.

A outra vantagem do filme situa-se, como é claro, ao nível da própria matéria narrativa. Ao contrário do que tenho lido por aí, não me parece que o filme retrate um certo Portugal profundo, o do mundo rural dos emigrantes que regressam a férias e dos bailes com música pimba. É pior do que isso. O que resulta do filme é um retrato essencial do que é, neste Agosto de 2008 (que apesar de tudo teve menos incêndios do que o do filme), a alma de Portugal: um país esgarçado entre uma ruralidade obscura e cruel que pretende abandonar e uma modernidade que não consegue de todo alcançar, manso e de emoções fáceis, patuscamente toldado pelo alcóol, culturalmente inane, mas que, apesar de tudo, e pelo menos aparentemente, está resolvido e relativamente saudável. Se parte deste retrato parece escapar às intenções do filme, isso em nada reduz a honestidade do seu olhar.
Porque é neste olhar, desprovido de censura ou de fascínio mas nunca neutro, cínico ou indiferente, que reside o encanto maior deste filme. A sua maior debilidade, por outro lado, é nunca nos conseguir convencer em definitivo da sua solidez enquanto projecto, restando-nos sempre a impressão, um pouco inquieta, de que tudo terá resultado, ainda que bem, um pouco por acaso. Como se, na sua sombra, houvesse sempre a possibilidade de resultar um filme desconchavado e até um pouco imbecil. Mas o certo é que esta dúvida, tal como está e na impossibilidade de ser comprovada, resulta sempre a benefício deste concreto filme que será, muito provavelmente, do melhor ao nível de cinema nacional que vamos ver este ano.
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(no subject)
rosas
innersmile
Diz que um cruzeiro gay, com cerca de 2000 passageiros a bordo, terá hoje atracado no porto de Lisboa, vindo de Londres e levantando âncora amanhã em direcção a Barcelona.
Será que alguém me pode confirmar se o referido navio atracou mesmo de popa?
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