September 4th, 2008

rosas

aquele querido mês de agosto

«Documentário? Ficção? A meio deste filme vemos uma ponte: a ponte romana de Coja sobre o rio Alva, da qual se atira Paulo “Moleiro”. Sem querer parecer Confúcio, diria que de qualquer uma das margens que esta ponte une se avista perfeitamente a outra. E que o rio é sempre o mesmo.»

Acho que esta frase de Miguel Gomes, o realizador de Aquele Querido Mês de Agosto, e que retirei do site oficial do filme, diz tudo acerca da dicotomia que tem estado no centro do debate que tem acompanhado a recepção desta obra. Só acrescentaria que a vantagem do filme, neste aspecto, é dar um tratamento narrativo a todos os elementos de que dispõe, nomeadamente aos não-ficcionais, e a mais-valia é que o faz com um humor subtil e suavemente irónico. O diálogo final entre o realizador e o director de som é, parece-me, paradigmático destes dois aspectos.

A outra vantagem do filme situa-se, como é claro, ao nível da própria matéria narrativa. Ao contrário do que tenho lido por aí, não me parece que o filme retrate um certo Portugal profundo, o do mundo rural dos emigrantes que regressam a férias e dos bailes com música pimba. É pior do que isso. O que resulta do filme é um retrato essencial do que é, neste Agosto de 2008 (que apesar de tudo teve menos incêndios do que o do filme), a alma de Portugal: um país esgarçado entre uma ruralidade obscura e cruel que pretende abandonar e uma modernidade que não consegue de todo alcançar, manso e de emoções fáceis, patuscamente toldado pelo alcóol, culturalmente inane, mas que, apesar de tudo, e pelo menos aparentemente, está resolvido e relativamente saudável. Se parte deste retrato parece escapar às intenções do filme, isso em nada reduz a honestidade do seu olhar.
Porque é neste olhar, desprovido de censura ou de fascínio mas nunca neutro, cínico ou indiferente, que reside o encanto maior deste filme. A sua maior debilidade, por outro lado, é nunca nos conseguir convencer em definitivo da sua solidez enquanto projecto, restando-nos sempre a impressão, um pouco inquieta, de que tudo terá resultado, ainda que bem, um pouco por acaso. Como se, na sua sombra, houvesse sempre a possibilidade de resultar um filme desconchavado e até um pouco imbecil. Mas o certo é que esta dúvida, tal como está e na impossibilidade de ser comprovada, resulta sempre a benefício deste concreto filme que será, muito provavelmente, do melhor ao nível de cinema nacional que vamos ver este ano.
rosas

(no subject)

Diz que um cruzeiro gay, com cerca de 2000 passageiros a bordo, terá hoje atracado no porto de Lisboa, vindo de Londres e levantando âncora amanhã em direcção a Barcelona.
Será que alguém me pode confirmar se o referido navio atracou mesmo de popa?