September 1st, 2008

rosas

o ouro do orgulho

Como estive fora, de férias, não acompanhei os últimos dias dos jogos olímpicos, nomeadamente aquela que é uma das minhas modalidades preferidas e que decorre mesmo quase no fim dos jogos, os saltos para a água da plataforma dos 10 metros. E ainda não tinha tido a curiosidade nem a ocasião de ir procurar quem tinham sido os medalhados. Descobri hoje, através do blog Whynotnow, do Pinguim, que o vencedor da medalha de ouro foi um jovem australiano de 20 anos de idade, o Mathew Mitcham, de quem nunca tinha ouvido falar nem me lembro de ter visto em outras competições.
Foi uma prova limpa, seis saltos muito bem executados, o último deles a beirar a perfeição, que valeram ao atleta sobrepor-se, na classificação final, aos sempre poderosos e favoritos chineses.
Mas se hoje trago aqui o ouro olímpico do Matthew Mitcham é para realçar o facto de ele ser o único atleta gay, ou pelo menos o único homossexual masculino, assumido presente em Pequim. O Pinguim tem, no seu post, este vídeo clip fabuloso feito pelo site gayclic.com:



Comovi-me muito ao ver este clip. Palavra, até passei para lá da fase do nó na garganta! Comoveu-me o ar de gayzola do Matthew, os seus acenos e gestos levemente amaneirados. Comoveu-me ele ter desatado a chorar quando soube que era o vencedor. Comoveu-me a série de abraços apertados e beijos que ele recebe no fim. Comoveu-me pensar que, se calhar, o que os rapazes gays podem trazer para o desporto, é esta falta de vergonha em assumir as suas emoções.
Comoveu-me a cerimónia da entrega da medalha e do hastear da bandeira, porque o Matthew estava para lá de feliz, estava esfusiante, comovidíssimo. Mas comoveu-me sobretudo quando ele, já depois de posar para os fotógrafos, pede à steward que o acompanha se pode ir à bancada, e desata a trepar por ali acima para ir beijar a mãe (que, li algures, foi a Pequim paga pelos amigos gays do filho) e o namorado.
E lembrei-me de que, se calhar, o que as pessoas que criticam o orgulho gay e as suas manifestações, não compreendem é que o orgulho, o pride, não está obviamente em se ser homossexual, o que não faria sentido nenhum, como o não faria ter-se orgulho em se ser heterossexual. O orgulho que os gays celebram é este, o do Matthew Mitcham, que, feliz por ter ganho uma medalha, não teve vergonha nem precisou de esconder os seus sentimentos, e desatou a trepar à bancada apenas, unica e simplesmente, para celebrar com as pessoas a quem mais ama.
E isso foi o que mais me comoveu.