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porque jurássico
rosas
innersmile
Esta coisa de não ter nada que fazer e estar em Coimbra revela-se desastrosa do ponto de vista financeiro: de cada vez que saio de casa, nem que seja para ir lá abaixo por o lixo, compro livros. Claro que é sempre com a desculpa de que é para ler nas férias, mas já são tantos que precisava de um mês numa ilha deserta (sem livrarias) para os conseguir ler todos. Com o dinheiro que já gastei mais valia ter comprado umas férias caríssimas, daquelas num lugar qualquer paradisíaco que só existe no ficheiro clipart de algum publicitário megalómano.

Hoje saí de manhã e, claro, comprei logo dois livros, em duas livrarias diferentes. Um dos livros é um volume de memórias do Prof. Galopim de Carvalho, o dos dinossauros. Cheguei a casa, folheei o livro para ver o estilo e as fotografias e fui surpreendido por uma foto em particular do professor na famosa Pedreira do Galinha, onde existe um enorme trilho de pegadas de dinossauro.

Tenho de admitir que nunca fui tocado pelo fascínio dos dinossauros, talvez porque quando era miúdo eles ainda não tinham sido inventados e a nossa imaginação ainda se enchia com os desvarios do futuro e não com os mistérios do passado. Talvez fosse pelo ângulo da fotografia, que apanha os trilhos laje acima, deixando particularmente em evidência o relevo das marcas dos passos, quase como as pegadas que acabámos de deixar na areia húmida da praia, tive quase uma espécie de visão de um dinossauro (daqueles gorditos com o pescoço esguio e alto, que comiam as folhas das copas das árvores – isto é ciência de filme de Spielberg, nem sei o raio do nome dos bichos) a trepar encosta acima lá muito entretido na vida dele.

Fiquei tocado, quase comovido, um pouco como quando pela primeira vez os meus olhos se esbugalharam para as pirâmides de Gizé. São sempre especiais estes encontros com realidades com que lidamos quase quotidianamente mas que, lá no fundo, não percebemos completamente.
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