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férias
rosas
innersmile
Estou de férias desde ontem, na prática desde sexta-feira passada. Hei-de sair, espero eu, lá para o fim da semana, para uma praia qualquer a sul, quer dizer a sul do equador, mas por enquanto estou de férias no meu sofá. E com uma enorme preguiça de computador. De vez em quando olho para ele, aqui na mesa, penso que deveria escrever qualquer coisa, lembro-me de temas para textos, mas depois viro-me para o outro lado e durmo mais um bocadinho. Ou leio.


Vi em dvd o derradeiro filme de Robert Altman, A Prairie Home Companion. Um filme tão bonito, tão suave como intenso, tão triste quanto alegre, tão simples e descomplexado, que parece mesmo um filme feito por um homem que se despedia da vida, e da vida que sempre teve, a de fazer filmes. Vi dois ou três filmes do Altman ali no final dos anos 70, na minha fase de bulimia cinematográfica, e nunca me libertei dele. Não vi todos os seus filmes, mas também não se pode, porque fez tantos. Faltam-me alguns dos últimos, nomeadamente os dois anteriores ao último, The Company e Gosford Park. Não sei se o Robert Altman é o cineasta preferido de alguém (talvez do PT Anderson que, lembro-me de ler algures, ajudou o Altman a terminar este filme), mas os seus filmes são tão importantes, que parecem ser sempre aquilo para que o cinema foi inventado: contar a história das pessoas como nós que o cinema eleva à condição de estrelas.


Comprei entusiasmadamente o livro Brando Mas Pouco, uma suposta biografia de Marlon Brando, e do seu voraz e indistinto apetite sexual. Um tijolo pesado de mais de 700 páginas, cada uma delas com várias revelações escaldantes. O problema é que tenho ali o livro a olhar para mim e não consigo passar das primeiras páginas: boring. Espero bem que a experiência de ter uma aventura sexual com Brando fosse mais trepidante do que este seu relato.


Aqui há uns meses falei de um artigo que vinha, se não estou em erro no New York Times, da autoria de Alberto Manguel, sobre as suas bibliotecas. Estou a ler, de sua autoria, Um Diário de Leituras. O livro é isso mesmo: um diário que cobre um ano, de Junho a Maio, em que cada mês é dominado pela releitura de um livro. Dos doze em apreço só li um, As Mémórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Mas o livro cria vontade de ler todos os outros. Não sei se simpatizo muito com Manguel, há coisas nele, muito subtis, que me provocam uma certa irritação. Mas é fascinante o modo como ele se relaciona com os livros e fala deles.


Saiu o segundo número da revista Com’Out. Acho que está melhor do que o primeiro. Mais consolidado. Fazendo figas para que o projecto resulte.

E agora volto para o sofá.
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