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sentir veladamente
rosas
innersmile
A Amélia Pais escolheu e colocou um poema meu, no seu blog AO LONGE OS BARCOS DE FLORES. Não é a primeira vez que o faz, e eu sinto-me sempre muito honrado e orgulhoso. Não porque me ache merecedor, tanto mais que, como antigamente, deixei praticamente de escrever poemas ou contos, pelo menos com frequência. Mas como ela diz, a Amélia só põe on-line aquilo de que gosta, e eu sinto-me honrado e orgulhoso, e imensamente feliz, por uma pessoa que eu respeito tanto dar atenção e gostar de coisas que eu escrevi.

Nunca é demais salientar o trabalho da Amélia Pais na divulgação da literatura, através do blog como através de uma mailing list que mantém diaria e incansavelmente, como de outras iniciativas a que tem estado ligada.
Mas hoje apetece-me agradecer-lhe copiando para aqui o poema de Camilo Pessanha que deu nome ao blog da Amélia e que foi um dos primeiros que ela publicou. Porque também foi Pessanha quem, como diz Pessoa pela voz de Amélia, me "ensinou a sentir veladamente".

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
– Perdida voz que de entre as mais se exila,
– Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora...