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batman, the dark knight
rosas
innersmile
Fui finalmente ver a mais recente produção de Batman, The Dark Knight, realizada pela mesma equipa que já tinha feito o re-design das aventuras do morcego no anterior Batman Begins. Um Batman sombrio, atormentado, negro, ou não fosse o autor desta nova série o Chris Nolan, autor de dois filmes espectaculares, Memento e Insomnia.
Esta nova aventura de Batman tem sido marcada essencialmente pela figura de Joker, e pelo desempenho de Heath Ledger naquele que foi o seu derradeiro papel no cinema. Percebe-se o efeito, sobretudo por causa do enorme choque que foi a morte do actor. No entanto, tentando ver para além deste efeito, não há dúvida de que se trata de uma excelente criação de Heath Ledger, a conseguir aquilo que me parecia o mais difícil: criar um boneco capaz de subsistir fora da comparação com a espantosa criação de Jack Nicholson para o papel do mesmo vilão, no filme de 89 realizado pelo Tim Burton. Não é possível comparar, eu acho que prefiro o Joker de Nicholson, mas isso é apenas porque ainda prefiro o Batman de Burton, que tinha um carácter mais ‘cartoonesco’ do que este Batman mais depressivo de Nolan. Mas preferência aparte, o facto é que o Joker de Heath Ledger consegue impor-se autonomamente como personagem. Para além disso é inegável que se trata de uma belíssima criação do malogrado actor. O que já me parece um erro é uma certa tendência para hipervalorizar o desempenho, dando-lhe uma profundidade que não tem. Não por demérito do actor, mas porque convém não esquecer, apesar de tudo, que estamos perante uma personagem de BD bastante unidimensional e não vale a pena pedir-lhe aquilo que ela não tem, seja em termos de espessura psicológica seja, e aqui é que a coisa fia mais fino, enquanto símbolo de uma determinada visão do mundo.
Falo, como é óbvio, de uma tentativa de trazer o filme para o terreno da sociologia urbana pós-11 de Setembro, em que Joker é um terrorista (é assim que o apelidam durante boa parte do filme) que, por pura paranóia, introduz o caos catastrófico no seio da grande urbe da América. O desenho deste ambiente apocalíptico é uma das coisas mais interessantes do filme, mas é igualmente uma das mais cansativas, na minha opinião precisamente porque exige do dispositivo narrativo de base, ou seja, Batman e os seus companheiros e os seus vilões, mais do que eles têm para dar. Percebo a tentação de trazer Batman para um território mais sério, tornando-o não tanto um símbolo mas sobretudo um modo de representar uma visão catastrofista da América. O que já não tenho tanta a certeza é que Batman resista a essa transferência, e que continue a fazer muito sentido (ou mesmo algum) fora do universo narrativo para que foi criado.
Tirando isso, e ainda os extenuantes mais de 150 minutos de duração, é um filme visual e narrativamente atraente, que confirma Batman como um dos heróis de Banda Desenhada cuja transposição para o cinema tem sido das mais ricas e entusiasmantes.
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