?

Log in

No account? Create an account

caetano em aveiro
rosas
innersmile
Que delícia o concerto de Caetano Veloso ontem na Praça Marquês de Pombal, em Aveiro. A noite estava no ponto adequado, a praça rectangular e bonita, cheia mas sem abarrotar, o som competente.
Caetano sozinho em palco com o seu violão, durante perto de duas horas, a desfiar canções e tesouros. Descontraído e bem disposto, a ceder naquelas canções incontornáveis para o público, e a entreter-se com as mais recentes, com uma inédita, e com as canções dos outros, das mais esperadas às mais surpreendentes. Por exemplo, a cantar La Mer, a primeira vez que o ouço a cantar em francês. Caetano abrandou um pouco o ritmo de cançoneta de Charles Trenet, e deu-lhe mais lirismo e melancolia. No fim da canção, disse que gostaria de a cantar de novo e repetiu-a. Noutro momento, cantou uma canção dedicada à Baía e no fim esclareceu que a canção não era da autoria dele mas de Ary Barroso e, para ilustrar a grandeza do compositor tocou e cantou pequeninos trechos dos clássicos absolutos Brasil e Baixa do Sapateiro.
Um momento inesperado foi quando, já depois de cantar Menino do Rio, Caetano afirmou que tinha gostado muito da palavra ‘ria’, por ser feminino, e que a ideia de fazer uma canção sobre ‘a menina da ria’ era irrecusável e ficava desde já prometida. E o inesperado da coisa é que foi tão espontâneo que fiquei convencido que a ideia lhe tinha passado naquele mesmo momento pela cabeça.
Cantou algumas das minhas canções preferidas, como Sampa, mas para mim o momento mais alto do concerto foi a interpretação de Terra, que é uma canção fabulosa, que Caetano cantou de forma extremamente doce, mesmo quando sacava precursões do violão, e com a ajuda do público no refrão. Outro momento particularmente bonito foi a versão do fado Confesso, que Caetano começa em ritmo de samba e termina em tom de fado, e que sendo um dos meus fados preferidos, na voz e na interpretação de Caetano fica ainda mais bonito e emotivo.
Apenas no encore surgiram duas canções de Cê, e mesmo assim em versão abreviada, mas que soaram muito bem na transposição para o violão.
Em suma, e apesar de eu já ter assistido incontáveis vezes a shows do Caetano, este foi mesmo muito especial e seguramente inesquecível.

(no subject)
rosas
innersmile
Fazem hoje anos de casados. Cinquenta e quatro. É uma ocasião bonita e comovente, mas não é muito alegre. As transformações mais temidas e irreversíveis parecem estar em marcha. E ainda que sejam inevitáveis, são na mesma assustadoras. Estou sempre a repetir para mim próprio que o importante é aproveitar enquanto há, carpe diem e essas coisas, mas não consigo deixar de ter muito medo. Medo do sofrimento, da angústia, da impotência. E medo também de que a única saída para a dor seja a solidão.