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Há os lugares onde fomos felizes e que são também aqueles onde mais fundo repousam as nossas mágoas. Como Tottenham Court Road, em cujos passeios largos e concretos ainda pulsam as luzes dos primeiros restaurantes de comida rápida e os enormes cartazes dos cinemas a cobrirem as paredes. O primeiro foi de um filme que provavelmente nem vimos, mas é esse cartaz, o rosto imenso, os olhos pequenos e semicerrados a espreitarem por detrás dos óculos escuros, que recordamos como uma promessa de saída.

E há os lugares do inferno, onde apenas se inscreve o horror e o abandono, e são lugares que abandonamos à sorte (ou ao azar) das noites agitadas e dos pesadelos recorrentes. São lugares aonde não voltamos (porque não há regresso para a negação), lugares de onde possivelmente nunca saímos, porque há pedaços de nós, partículas de músculo, minúsculas gotas de seiva, ou apenas o som cavo de um batimento que se suspendeu, que ainda (e será que alguma vez) procuram palavras para enunciarem a saída.
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