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livros e bibliotecas
rosas
innersmile
Continuo a ler, muito entusiasmado mas em progressão lenta, o livro de Edmund White, My Lives. Houve uma altura em que os livros de White eram traduzidos e publicados por cá (seis títulos, se não estou em erro, na Dom Quixote, na Difel e na ASA), mas como nunca mais foi editado nenhum decidi encomendar o livro da Amazon. Trata-se de uma autobiografia e, como toda a escrita de White, é de uma honestidade quase chocante, crua, com um olhar desapiedado que começa pelo próprio autor. Isto para além das suas características técnicas, chamemos-lhes assim, uma escrita de grande qualidade, com grande riqueza de vocabulário e de soluções semânticas. Sendo que o estilo é mais marcadamente autobiográfico do que memorialístico, o livro não se estrutura como uma autobiografia clássica, organizando-se não de forma cronológica mas por temas, dos quais os quatro primeiros, os que eu já li, são: my shrinks, my father, my mother, my hustlers. Promete, como se vê.

Entretanto comprei mais dois livros, que estão ali em lista de espera, e que partilham com o livro de White uma temática que abrange ou pelo menos toca a questão da homossexualidade: Califórnia, do espanhol Eduardo Mendicutti (na Bico de Pena que já tinha publicado um outro livro do mesmo autor) e O Jardim dos Perversos, de Fernando Duarte Rocha (na Guerra e Paz), e que é basicamente uma história sobre um grupo de adolescentes dos subúrbios de Lisboa em finais dos anos 1970 inícios de 1980, com, tanto quanto percebo pois ainda não o li, os ingredientes clássicos, sexo drogas e rock’n’roll, aos quais acrescenta a delinquência. Ainda só desfolhei as primeiras páginas, mas parece-me interessante.

Entretanto a propósito destes livros aproveito para registar que comecei a fazer uma biblioteca no site libraything.com. Decidi fazer uma biblioteca temática, só com os meus livros de temática gay ou homossexual (em sentido muito lato e deixando de lado a eterna discussão acerca da legitimidade de usar tal classificação). Ainda estou longe de ter todos os livros carregados e já vou em setenta e tal volumes (suponho que nesta fase poderá passar da centena). O que me fez pensar, pela primeira vez na vida, que aquela minha biblioteca se calhar tem algum interesse e dimensão, e que se calhar valia a pena começar a pensar em quem é que vai um dia ficar com ela.
Se alguém tiver curiosidade pode entrar no site www.librarything.com e pesquisar por innersmile (e dá para ler em português, variantes do Brasil e de Portugal). Ou então seguir este link.
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