May 26th, 2008

rosas

diário africano, a morte de ivan ilitch


Fim de semana proveitoso no tocante a leituras. No Sábado à tarde li o Diário Africano, do escritor de viagens norte-americano Bill Bryson. Há muito tempo que tinha vontade de experimentar a prosa dele, porque gosto muito de literatura de viagens, e ele é, no momento actual, talvez o escritor mais popular deste género.
O livro não desiludiu mas soube a pouco. Trata-se de uma obra sui generis, criada em resposta a um convite de uma ONG, a CARE, para Bill Bryson acompanhar um grupo de técnicos da organização numa viagem ao Quénia para fazer o ponto da situação relativamente aos projectos da CARE em desenvolvimento naquele país. Bryson escreve o diário possível dessa breve viagem, salientando os principais aspectos do trabalho da ONG mas com muito pouco ‘espaço’ para desenvolver situações e episódios. De qualquer modo sempre deu para ficar a conhecer o autor e o seu proverbial sentido de humor (no género ‘viajante à força’) e talvez um dia destes volte a experimentar um dos seus livros mais substanciais.

Ontem li o clássico de Lev Tolstoi, A Morte de Ivan Ilich, que é de facto uma obra assombrosa. A história de um juiz, a viver no lado bem instalado da vida, e da sua lenta agonia, o livro condensa, em pouco mais de cem páginas, uma série de sentimentos e emoções que o transformam num retrato pungente da condição humana, daquilo que o homem é quando reduzido à sua essência. Isto mesmo é salientado num curtíssimo prefácio por António Lobo Antunes.
Para além do retrato impiedoso, mas nunca cínico, que Tolstoi faz da solidão e da extrema fragilidade do homem perante a morte (ou será perante a vida?), seduz no livro a própria escrita, a sua forma condensada mas escorreita, em que cada frase fornece uma enorme quantidade de informação ao leitor, mas com um ritmo que quase se pode considerar ligeiro, harmonioso.

Entretanto na passada segunda-feira, ao fim da tarde, pus uma encomenda da loja inglesa da Amazon, na terça enviaram-me um mail a dizer que a encomenda tinha sido despachada e na sexta tinha o livro à espera na caixa do correio. E por um preço, incluindo os portes de envio, inferior ao de uma qualquer e normal edição portuguesa. O livro é a autobiografia My Lives, do Edmund White, que basicamente encomendei porque tenho saudades de ler o White e há muito tempo que não é editado nada dele em português. Conto começar a lê-lo logo à noite.