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indiana jones and the kingdom of the crystal skull
rosas
innersmile
A verdade é que não conseguimos olhar para esta aventura um pouco fora de tempo de Indiana Jones com o olhar virgem com que vimos há quase trinta anos o Raiders of the Lost Ark. Basicamente porque foi precisamente com "Os Salteadores", mais do que com Star Wars uns anos antes, que aprendemos que era ok ir ao cinema só mesmo pelo divertimento, por puro entretenimento. Indiana Jones and The Kingdom of the Crystal Skull chega quando já estamos quase do outro lado, com os olhos saturados de um certo tipo de cinema de entretenimento, os blockbusters de Hollywood, com as suas fórmulas mais do que repetidas, exploradas até à exaustão, em que as sequelas são apenas a face mais assumida de filmes todos mais ou menos iguais, desenhados para divertir sem pensar e criar o maior retorno financeiro no espaço de um fim de semana.

Posto isto, então como é que se vê este novo Indiana Jones? Spielberg e Lucas apostam claramente no factor de identificação, puxando-nos para a iconografia da personagem, na lógica de que o hábito faz o monge. Outro aspecto que permanece mais ou menos intacto é o gozo, a mistura de humor e disparate, os vilões divertidos e os sidekicks caricaturais, a mistura de ciência e fantasia. A história é bem esgalhada, sobretudo na primeira parte em que o filme brinca com o ambiente dos anos 50, em que a guerra fria servia de motor às experiências atómicas e às histórias de UFOs e extraterrestres. Além disso o filme resolve muito bem o envelhecimento do herói, transformando-o num dos leit-motifs do próprio filme. A mais, para falar com franqueza, só achei uma certa 'digital layer' que não vai bem com um certo tom artesanal das aventuras originais de Indiana.

Sendo assim, este Kingdom of the Crystal Skull é um belíssimo filme de aventuras, que não desvirtua nem adultera o lugar afável que o herói Indiana Jones ocupa no nosso imaginário não apenas cinéfilo mas também geracional. A única questão a que é muito difícil responder é mesmo o da utilidade deste novo filme. Nada é acrescentado à personagem, não há uma mudança de nível como por exemplo aconteceu na segunda trilogia de Star Wars, nada é acrescentado à iconografia de Indy nem ao seu universo de aventuras. Se for só fazer o gostinho ao dedo por parte de Spielberg e Lucas, tudo bem. Mas se a ideia é, como parece, lançar a personagem do filho de Indiana Jones como protagonista de uma nova série de aventuras, rentabilizando um novo filão de blockbusters, então é um bocado infeliz que o próprio Indiana Jones seja um vítima do sistema que, para o melhor e para o pior, ajudou a construir.