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fumar/não fumar
rosas
innersmile
Não acho nada bem que o Primeiro-Ministro aproveite o facto de estar num voo fretado da TAP e que ninguém tenha coragem de lhe chamar a atenção, para fumar a bordo de um avião. Nem me parece que seja sinal de prepotência, de quero, posso e mando, e como sou PM posso fazer tudo o que quero. Acho sinceramente que é mais uma questão de provincianismo, bem portuguesinho, de fazer uma coisa que é proibida apenas porque se consegue safar. Não será tanto uma questão de carácter (como a prepotência ou o autoritarismo), mas sobretudo de mentalidade – uma parolice. Do mesmo calibre da história da licenciatura. E como todo o provincianismo, é igualmente uma questão de hipocrisia, de fazer as coisas atrás da cortina (‘debaixo dos panos’, como numa canção antiga do Ney) para que ninguém veja. Não interessa ser, mas sim parecer.
Mas se o comportamento do PM é, nesta estrita medida, reprovável, convém lembrar que fumar não é um crime nem um pecado. Não é um comportamento desviante, pelo menos por enquanto, nem um atentado à moral. Por outro lado, se o facto de alguém fumar a bordo põe em causa a segurança dos passageiros e da tripulação, então não percebo como é que ninguém da tripulação, em última análise o comandante, mandou os cavalheiros apagar os cigarros.

Agora devo dizer que tão parolo me pareceu o comportamento do PM, como a notícia da edição de hoje do Público relata (ia escrever ‘delata’) os acontecimentos a bordo (fica aqui o link http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1328604, mas não sei se funciona). Tudo na notícia me soa mal: o tom recriminatório e ressabiado, o relato muito ‘vidinhas’ cheio de pormenores, os testemunhos indignados mas anónimos não vá o diabo tece-las. Convenhamos, o artigo ainda é mais provinciano do que o próprio comportamento do PM. É mesquinho e medíocre, faz lembrar aquelas senhoras muito feias que passam a vida a cortar na casaca das miúdas giras, com uma inveja muito cotovelar.
Não ponho em causa o interesse da notícia e o critério editorial do jornal. Percebo que haja interesse em divulgar um comportamento do PM que tão claramente transgride uma lei que se refere a um assunto no qual o governo não foi neutro, ao ponto de ter legislado no sentido de alargar a proibição do fumo de tabaco. O que me parece infeliz, e indigno da tradição do Público, é o tom despeitado do artigo.
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