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os filmes da guerra
rosas
innersmile
Um pouco no rescaldo da minha viagem ao Vietname revi três dos filmes sobre o conflito mais conhecidos.
Não gostei nada de Good Morning Vietnam. Quer dizer, não tinha desgostado quando o vi, há 20 anos, quando saiu, mas agora achei-o muito fraco do ponto de vista narrativo, e achei insuportáveis algumas das cenas mais histriónicas do Robin Williams. É, apesar de tudo, um filme que tem uma visão critica não tanto sobre a guerra em geral, mas sobre a gestão política em concreto do conflito do Vietname tal como foi feita pelas autoridades norte-americanas.
Curiosamente há uma cena em Platoon, o já clássico de Oliver Stone, e que foi feito um ano antes da fita de Barry Levinson, em que se ouve num rádio a voz de Adrian Cronauer a dizer o célebre cumprimento Gooooooood Morning, Vietnam.

O Platoon tem, como tinha há 20 anos, o condão de me comover muito. Apesar de ser um filme político, como todo o cinema de Stone, consegue dar muita vida aos personagens, e sobretudo transmite muito bem a sensação de desespero e coragem, animada por uma vontade de sobreviver, de chegar vivo ao fim, que deve animar todos os soldados que têm experiência do teatro de guerra. É ainda, de certo modo, e de todos os filmes feitos sobre o Vietname, aquele que, por razões que nem sou capaz de elaborar muito bem, aquele que mais me faz lembrar a nossa própria guerra colonial. Talvez o facto de a câmara se manter sempre tão próxima dos soldados nos crie uma certa familiaridade, ou uma solidariedade familiar, que me remete para os muitos soldados portugueses que conheci durante a então chamada guerra do ultramar.

Apocalypse Now é um portento de um filme. Apesar de estarmos muito habituados a ver determinadas sequências do filme, o facto é que já não o via com atenção e de fio a pavio, há muito tempo. E surpreendeu-me o tom quase artesanal do filme, o modo como podemos ler as cenas, não apenas do ponto de vista da sua carga simbólica, que é sempre rica no filme de Coppola, nem apenas no seu valor narrativo, enquanto sequências de uma história que se quer contar, mas inclusivamente do ponto de vista técnico. Podemos quase perceber como cada plano foi feito, como foi criado e posto em cena, podemos sentir as costuras do filme, passar os dedos pela rugosidade e sentir onde cada sequência encaixa na anterior e na seguinte. E isso, o facto de quase adivinharmos o trabalho do realizador, engrandece a obra, não tanto por lhe dar uma certa caução autoral, mas por o tornar um filme muito pessoal, quase como se fosse possível que Francis Coppola o tivesse feito sozinho.
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