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(no subject)
rosas
innersmile
O Bob Geldof foi um dos meus ídolos de juventude. Conheci-o como cantor dos Boomtown Rats, através da que foi e continua a ser uma das minhas canções pop favoritas, I Don’t Like Mondays, incluída num LP de 1979, The Fine Art of Surfacing, o único disco deles que eu comprei, e numa fase em que os Rats já estavam a deixar de ser uma banda cool dos tempos do punk e da new wave. Depois, durante os anos 80, e para além de ter feito o filme The Wall, dos Pink Floyd, o Bob Geldof era, pelo menos para mim, essencialmente o namorado, e depois marido, da Paula Yates, a co-apresentadora, juntamente com o Jools Holland, do The Tube, um programa de música que passava no Channel 4 em Inglaterra, e ambos constituíam assim uma espécie de casal real da cena pop e rock britânica.
Eu adorava o The Tube, não sei se foi o melhor programa de música que eu vi feito em televisão, mas pelo menos foi o que mais impacto teve em mim. E a Paula Yates era uma mulher admirável, com sentido de humor, muito forte, outspoken como se diz em inglês, com uma enorme tatuagem no braço numa época em que as pessoas ainda não usavam tatuagens. O casal esteve junto durante quase 20 anos, depois a Paula Yates deixou o BG para ir viver com o Michael Hutchence, dos INXS. O Michael Hutchence morreu pouco tempo depois, e a Paula Yates entrou num processo de degradação que terminou numa morte por overdose em 2000. Isto escrito assim parece mera crónica social, mas devo dizer que vivi sempre com alguma intensidade os percursos de vida destas pessoas, e a morte da Paula Yates fez-me uma impressão terrível.
No Natal de 1984 o Bob Gelgof reuniu uma mão cheia de ídolos pop do momento e lançou a que continua a ser a minha canção de Natal preferida, a Do They Know It’s Christmas, e esta lançado um projecto de caridade voltado para o combate da fome em África que haveria de culminar com o acontecimento à escala mundial Live Aid, em Julho de 1985. Eu estava em Londres na altura do Live Aid e acho que estive mais de 24 horas em frente à TV, a ver os concertos, de t-shirt vestida. Ainda há pouco tempo, a dar voltas às gavetas em casa dos meus pais, encontrei essa t-shirt do Live Aid, juntamente com outra, da mesma altura, que dizia Frankie Says, e que foi uma moda lançada pelos Frankie Goes to Hollywood.
Fundamentalmente o Bob Geldof trocou, a seguir a isso, uma carreira de cantor pop por uma de activista político, e que o trouxe a Lisboa um dia destes para participar numa conferência qualquer, e na qual, honrando uma tradição de falar curto e grosso sem receio de ser inconveniente, deixou os meios diplomáticos e financeiros em apuros ao afirmar que Angola é governada por um bando de criminosos. Nada que toda a gente também não diga, mas uma coisa é dizer-se à boca pequena, salvaguardando as aparências e os interesses, e outra é fazer o que Gelfdof fez, por a boca no trombone sem punhinhos de renda.

Apesar de hoje ser Thank God It’s Friday, e portanto estarmos na antítese de I Don’t Like Mondays, aí fica, em homenagem ao Bob Geldof e à sua desbocada e abençoada bocarra de irlandês mal humorado, aquela que continua a ser uma das minhas canções preferidas, e que, apesar dos anos, ainda sou capaz de acompanhar quase a letra toda de cor e salteado.



The silicon chip inside her head
gets switched to overload
and nobody's gonna go to school today
she's gonna make them stay at home
And Daddy doesn't understand it
He always said she was good as gold
And he can see no reason
Cos there are no reasons
What reasons do you need to be shown

Tell me why
I don't like Mondays
I want to shoot
The whole day down

The telex machine is kept so clean
and it types to waiting world.
And Mother feels so shocked
Father's world is rocked
And their thoughts turn to
Their own little girl
Sweet 16 ain't that peachy keen
No it ain't so neat to admit defeat,
They can see no reasons
Cos there are no reasons
What reasons do you need to be shown

Tell me why
I don't like Mondays
I want to shoot
The whole day down

All the playing's stopped in the playground now
She wants to play with her toys awhile
And school's out early and soon we'll be learning
That the lesson today is how to die
And then the bullhorn crackles
And the captain tackles
With the problems and the how's and why's
And he can see no reasons
Cos there are no reasons
What reasons do you need to die