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o novo mayor de londres
rosas
innersmile
O desastre do Partido Trabalhista nas eleições locais inglesas (e galesas) do passado dia 1 de Maio ainda foi pior do que as piores previsões. Os jornais ingleses falam na maior derrota Labour em 40 anos. Quem diria há apenas dois anos, com um Partido Conservador em sérias dificuldades em acertar com a estratégia, que um resultado destes seria possível? Esta é uma lição que não devem esquecer os partidos que estão no governo com maiorias confortáveis e que pensam que lá porque os partidos da oposição parecem esfrangalhados tudo são favas contadas.

Quanto a Londres venceu, como era previsível, o Boris Johnson, com 42% dos votos. O Red Ken, com 36%, sai de cena com a apesar de tudo consolação de que esta derrota será mais do Labour do que sua. O meu candidato a mayor, o Brian Paddick, dos Liberais-Democratas, teve uns decepcionantes 9%.

Que apesar de tudo a política inglesa não é bem a mesma coisa, mostra-o o modus operandi das noites eleitorais. Como as eleições são nominais, ou seja escolhe-se um candidato em concreto e não um cabeça de lista, todos os candidatos se reúnem no mesmo lugar para ouvirem um speaker anunciar os resultados e proclamar os vitoriosos. Seguem-se os discursos, ali, feitos ‘na cara’ uns dos outros. Parecendo que não, ajuda a elevar o nível, e torna a política um assunto de cavalheiros. Ontem nos discursos o Boris fez o elogio do Ken Livingstone, agradecendo-lhe o facto de ter definido o perfil da figura do mayor da cidade, a sua dedicação à cidade, e a sua liderança quando foram os ataques bombistas de Julho de 2005. Mandou uma alfinetada irónica ao elogiar-lhe o nervo exuberante com que lida com os adversários, especialmente os do New Labour. E terminou o elogio ao seu adversário derrotado afirmando esperar que seja encontrada uma forma de garantir o contributo para o governo da cidade do ‘amor transparente’ de Ken Livingstone por Londres. Percebem a diferença?

we own the night
rosas
innersmile
Gostei imenso de We Own The Night, de James Gray, um filme de uma pureza muito grande, que nunca tem medo ou vergonha de assumir que pretende filmar essa zona sombria onde os sentimentos são a única coisa que nos redime. Trata-se com efeito de um filme sobre uma redenção, a de Bobby, filho e irmão de polícias nova-iorquinos, a quem o desejo de liberdade levou até às margens do crime organizado e que enceta da forma mais dolorosa o caminho até regressar à segurança do lugar onde pertence, sendo que este, muito mais do que um lugar físico, é sobretudo a morada onde estão aqueles que amamos.
Mas se esta história é já de si apelativa de um determinado cinema, ou de uma certa maneira de usar o cinema, é no modo como filma, como a câmara se demora, com um misto de contenção e despudor, de distância e excesso, no rosto dos actores e na limpidez das formas. O olhar de Gray parece estar ali a meio caminho entre a secura de um Clint Eastwood e o desvario de um Abel Ferrara. Tudo no filme, das fotografias a preto e branco iniciais à banda sonora, dos adereços aos automóveis, evoca não tanto um tempo e um lugar, mesmo cinematográficos, mas mais uma memória, a memória de um olhar mais puro, que conseguia olhar para as coisas de forma ainda descontaminada por todos os relativismos.
E depois os actores. Joaquin Phoenix está lindíssimo, um homem a ganhar peso e sombra, um corpo ainda a clamar vida mas já a acentuar os sinais da morte. E o prazer imenso de rever o grande actor Robert Duvall em mais um papel trabalhado com um rigor e uma segurança raras.
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