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cat on a hot tin roof e sweet bird of youth
rosas
innersmile
Ainda a ler a autobiografia de Tennessee Williams, aproveitei para rever dois dos mais famosos filmes baseados em peças do dramaturgo, Cat on a Hot Tin Roof e Sweet Bird of Youth. Para além das peças de TW, unem estes filmes o facto de serem ambos realizados por Richard Brooks, e terem Paul Newman no protagonista. Cat on a Hot Tin Roof foi um êxito imenso, em parte por causa da dupla electrizante formada por Newman e por Elizabeth Taylor, mas também muito por causa da tensão imensa que percorre todo o filme, uma violência sempre prestes a explodir, e uma beleza triste e insuportável, por ser quase o epítome da mais profunda solidão em que as personagens se encontram, como de resto acontece em (quase) todos os personagens criados por Williams. Sweet Bird of Youth não é, enquanto filme, tão bem conseguido como Cat on a Hot Tin Roof, apesar da gisgantesca presença de Geraldine Page no papel de Alexandra del Lago. Um verdadeiro monstro, como de resto é referido na peça. pela própria personagem, que se devora a si prórpia tanto quanto devora todos aqueles que estão à sua volta.
São dois clássicos filmes de Williams, naquele sentido em que muito do que é a essência do teatro de Williams se encontra tão bem plasmado nestes filmes. E isto apesar de acontecer aqui o que aconteceu de forma geral com todas as adaptações cinematográficas das suas peças, e que foi um adoçar dos temas fortes de Williams, que não recuava perante nenhum tema tabu. Sweet Bird é um bom exemplo, ao trocar, no final, a referência à histerectomia de Heavenly por uma gravidez, apesar de tudo mais bem tolerada pelos padrões morais dos anos 50 e 60.
Na sua autobiografia Tennessee Williams não faz muitas referências às suas peças (apenas notas sobre as produções e as suas vicissitudes) e ainda menos aos filmes. Mas há duas coisas que são evidentes. A primeira é como as peças reflectem a personalidade depressiva de Williams e a sua capacidade de desafiar as convenções sociais e morais do seu tempo, muito pelo facto de Williams nunca ter negado a sua homossexualidade. A outra coisa evidente é como Williams sempre foi perseguido pelo medo do fracasso e como as suas peças foram muitas vezes mal recebidas pela crítica. E é curioso porque ao vermos estes filmes não conseguimos deixar de sentir uma admiração imensa pelo teatro de Williams, não tanto, ou não apenas, pela escolha dos temas, mas sobretudo pela intensa e profunda humanidade das suas personagens, pela forma como vivem as suas fragilidades, e como são sempre essas fragilidades que as tornam admiráveis e únicas.