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Ontem, já não sei o que andava à procura, fui parar a um ficheiro com entradas muito antigas do innersmile, dos primeiros meses. Nessa altura andava praticamente sozinho, não apenas no livejournal mas na própria blogosfera, havia pouquíssimos blogs em português. Dessa época, e aqui no livejournal, e que ainda andam por aqui, só me estou a lembrar primeiro do Guil e depois do não_vou_por_ai, ou seja, tirando eu só havia brunos.
O que eu achei engraçado lendo essas entradas antigas é como o tom do innersmile mudou radicalmente. Nessa altura era de facto um diário on-line, onde eu ia registando basicamente o meu dia-a-dia, embora tentasse resguardar uma certa exposição de aspectos mais íntimos. Mas acho que lendo essas entradas é relativamente fácil perceber, ou pelo menos fazer uma ideia, do que eu era e onde estava nessa altura.
Os anos seguintes, 2002 e 2003 foram sobretudo anos de comunidade livejournal, em que se escrevia, acho eu, sobretudo para os amigos, ou seja, para o resto do pessoal que estava no livejournal. Foi um tempo impecável, no qual fiz bons amigos e conheci pessoas muito interessantes, normalmente mais novas que eu, e que me deram a conhecer muitas coisas e perspectivas novas.
A partir de 2003 começou o boom dos blogs em Portugal, e começou também a transformação do innsermile. Aos poucos foi deixando de ser um diário, um caderno de apontamentos de coisas mais ou menos irrelevantes, uma maneira de comunicar com os outros, e passou a ser, cada vez mais, um livro de registo. De livros, de filmes, de espectáculos, de viagens. Uma maneira de me obrigar a registar as coisas e a reflectir minimamente sobre elas. Uma espécie de captain’s log, de diário de bordo. Para isso contribuiu, estou certo, o facto de começar a ter consciência de que há mais gente (eu ia escrever muita, mas isso não é verdade) a ler, e naturalmente refrear o aspecto mais pessoal da escrita.
Houve, ao longo destes anos, momentos em que a minha vida profissional correu menos bem, e isso dava-me mais disponibilidade, de tempo mas sobretudo de espírito, para pensar e escrever coisas. Desde há uns meses, quase um ano, a minha vida profissional alterou-se, para melhor, e entrei novamente numa fase de muito envolvimento profissional. Tenho uma profissão que pode ser absorvente, e quanto melhor correm as coisas, mais absorvente ela é. Ou seja, a minha disponibilidade para escrever reduziu-se drasticamente. Quanto tenho alguma vontade de escrever, e um pretexto forte, faço um esforço para alinhavar meia dúzia de coisas que tento fazerem sentido. Normalmente escrevo de rajada, aproveitando pequenos intervalos, ou dedicando os serões à escrita.
Tudo isto porque estou a passar uma fase em que não me apetece escrever e tenho deixado o innersmile de lado. Aproveitei as notas que escrevi na minha viagem ao Vietname para me renderem umas quantas entradas. Ainda tenho alguns textos que escrevi no blog a_seco para pôr aqui. Mas como não tenho ido muito ao cinema e ando a ler o mesmo livro há semanas, falham-me os pretextos. E não tenho a dose de ócio suficiente para pensar em textos ou em temas que me apeteça desenvolver.
Ontem, ao ler as entradas mais antigas tive saudades desses tempos de diário, mas acho que hoje seria completamente incapaz de voltar a fazer o innersmile da mesma maneira. Para mim não faz grande sentido fechar um blog e abrir outro, não mantenho blogs com essa noção de projecto. Basicamente só o quero para ir escrevendo umas coisas quando me apetece. Depois de muitos anos a sentir uma certa compulsão para vir aqui escrever sobre tudo e alguma coisa, gostava de retomar, dos tempos iniciais do innersmile, apenas uma certa noção de inconstância. Não sentir a obrigação de escrever. Libertar-me da mania tola de que há pessoas para quem tenho de escrever. Voltar ao estado de espírito do tempo em que escrevia para mim e punha as coisas on-line, à disposição dos outros, mas sem lhes serem dirigidas.
Nem sei mesmo, nesta fase do campeonato, se faz sentido pôr este texto no innersmile. De certa forma precisei de o escrever para pôr ponto final numa mini-crise existencialista por que o innersmile passou. O facto é que basta estar três ou quatro dias sem pôr nada on-line para começar a ganhar uma espécie de distância que me leva a reflectir sobre ele. Era disso que eu me queria libertar.