April 13th, 2008

rosas

vietname 08.7

28.3.08

Hoje foi um dia forte e emotivo.

Logo de manhã fomos a Cu Chi, uma aldeia a uns 50 quilómetros de HCMC onde há um sistema de túneis usado pelos vietcongs durante a guerra. Todo o propósito da visita é enaltecer a engenhosidade e a simplicidade dos guerrilheiros vietnamitas, na sua luta contra o invasor brutal, bem como das populações locais, que conseguiam auxiliar os guerrilheiros sem se exporem às tropas norte-americanas.

À tarde fomos visitar o palácio da reunificação, que começou por ser a residência do governador francês e depois se tornou a residência oficial dos presidentes da república do Vietname do Sul. Foi destruído num ataque aéreo em 1962, e reconstruído. Para a história fica ainda o facto de ter sido deste palácio que o último presidente do país fugiu, em Abril de 1975, a bordo de um helicóptero que aterrou no telhado, bem como uma das fotografias mais iconográficas do conflito, a de um tanque dos guerrilheiros do norte a derrubar os portões do palácio. Destaco o estilo modernista das colunatas que, sobretudo vistas do interior para o exterior, criam uma luz velada e fresca, algumas peças de mobiliário, e principalmente o bunker presidencial, que está arranjado para dar uma ideia do que era o centro nevrálgico da guerra, com salas de mapas, de comunicações, e todo o aparato militarista.

Visitámos em seguida o Museu dos Despojos da Guerra, que já foi dos crimes de guerra. Um conjunto de fotografias, filmes e outros documentos, que pretendem dar a conhecer os horrores praticados durante a guerra, sobretudo os infligidos pelas autoridades sul-vietnamitas e pelas tropas norte-americanas aos vietcongs, e a todos aqueles sobre quem recaíam suspeitas de simpatia comunista ou com a causa da guerra de resistência. Hoje o museu pretende ter uma visão mais abrangente do conflito, e tem mesmo a pretensão de ser um lugar de reflexão sobre o horror da guerra em geral. Assim, tem uma sala dedicada a trabalhos de foto-jornalismo da autoria de foto-repórteres norte-americanos que morreram durante a guerra, e que acompanham as tropas dos EUA e os dissabores por que passaram. Tem ainda uma exposição, julgo que temporária, sobre as minas de guerra, onde estão expostas fotografias feitas em Angola.
É impossível sair deste museu sem um forte sentimento de angústia. Que nos remete para a nossa própria história e para as guerras coloniais, e que partilham com a chamada guerra do Vietname bem mais do que poderá parecer à primeira vista, nomeadamente no enquadramento político (são conflitos típicos do mundo da guerra fria em que então se vivia) e na própria circunstância de enviar soldados combater em condições geográficas muito adversas e que os tornavam vítimas tanto do inimigo como dessas próprias condições.
Mas este museu faz-nos ainda pensar no enorme absurdo que é hoje a guerra no Iraque, tão injustificada quanto esta e provavelmente ainda mais horrífica.