April 6th, 2008

rosas

vietname 08.4

24.3.08

Chegámos a Danang ao fim da tarde, e estamos instalados num resort, em Hoi An. Adorei o cruzeiro na baía de Halong. Primeiro pelo próprio passeio de barco, gosto destes barcos de cruzeiro, das coisas em ponto pequeno, dos camarotes muito funcionais, do modo como se consegue aliar essa funcionalidade a um toquezinho de requinte. Depois, claro, pela baía, que é de uma beleza espectacular, de cortar a respiração. E até pelos marinheiros, ágeis e fortes, e muito simpáticos, com um ar inacessível mas que se pode tocar.
De manhã houve uma aula de Tai Chi, no convés ainda molhado da humidade da noite. Não fiz, mas assisti, para poder apreciar a graça dos movimentos, o corpo a desenhar no espaço uma arquitectura de linhas curvas, de passos suspensos em equilíbrios impossíveis.

Na viagem de Halong para o aeroporto de Hanoi parámos numa pequena aldeia de carpinteiros e marceneiros, fabricantes de mobiliário. Sempre o mesmo chinfrim, a sujidade, a confusão de motorizadas e bicicletas. O mais engraçado da visita foi termos sido alvo da curiosidade dos locais, sobretudo nas ruas mais afastadas da estrada principal que cruza a aldeia. As crianças então ficavam perplexas a olhar para nós. É estranha esta sensação de sermos exóticos, diferentes, aves-raras. As pessoas eram muito simpáticas, sobretudo os rapazes e as velhas. Metiam-se connosco, riam-se de nós, mas sempre de uma forma cortês.
Aprendemos sempre tanto quando saímos da janela e vamos de facto ver o mundo, e cheirá-lo, e tocar-lhe, e senti-lo.

Hoje de manhã, ainda na baía, saímos no escaler para mais uma visita. Os miúdos, claro, no assédio pelo dólar. Um rapazito veio pôr-se ao meu lado, encostado a mim. Fez o choradinho e acabou por se convencer que eu não tinha dinheiro, ou que não lho iria dar. E deixou-se estar. O ombro encostado ao meu braço, a cabeça apoiada no meu ombro, a mão a segurar-me suavemente o antebraço. Preguiçoso ele, a descansar num intervalo de afecto. E eu a guardar esse tesouro, o consolo morno de um corpo franzino que me deu a graça de lhe servir de repouso.