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vietname 08.2
rosas
innersmile
22.3.08

O dia começou cedo, às 8 horas, para visitar o complexo de monumentos dedicados à memória de Ho Chi Minh.

O mergulho no quotidiano da cidade asiática (mesmo tendo em consideração que hoje é Sábado) é sempre intenso e arrepiante. A quantidade impossível de gente, de motocicletas e bicicletas, os autocarros decrépitos, o trânsito caótico, o barulho constante. Há uma vertigem de tamanho, de grandeza, de números imensos, que apenas sentimos neste continente. São muitos, muitos.

A cidade é suja, barulhenta e poluída. Em determinadas zonas (como junto ao estrelado hotel onde estou) há esgoto a correr pelos bueiros, com o cheiro, nauseabundo mas apesar de tudo familiar, de águas podres e estagnadas. Muitas pessoas, sobretudo mulheres, usam máscara no rosto, e percebe-se porquê: nas zonas mais densas o ar parece irrespirável. E Hanoi é, à escala, uma cidade pequena, com os seus 3 milhões de habitantes. Mas tudo isto, que escrito assim parece mau, tem fascínio e sortilégio.
A cidade tem uma arquitectura engraçada. Casas tradicionais, influência colonial e o desordenamento típico destas metrópoles recentes. As casas têm 3 ou 4 pisos, varandas, e são estreitíssimas, o que lhes dá um aspecto cómico de traços finos e salientes. Normalmente têm a largura de uma divisão. O térreo é uma loja ou então, quando se consegue ver lá para dentro, é uma divisão ampla com um altar. Num dos lados da rua amontoam-se os cabos eléctricos, de poste em poste, alguns a poucos centímetros da (minha) cabeça, como se não houvesse derivações e a cada casa correspondesse o seu cabo. Sim, são assim tantos.

Há uma mistura curiosa entre o peso da instituição comunista e a recente abertura à iniciativa privada, sobretudo do comércio.

Confesso que me senti emocionado ao visitar o mausoléu de Ho Chi Minh. Não por ser admirador da personagem (sempre foi, no Ocidente, entre líderes comunistas, dos mais discretos), mas por ser a primeira vez que pude ver, e incorporar, essa tradição dos regimes comunistas totalitários de ritualizar o culto dos heróis. A longa fila de gente, formada dois a dois, as mãos ao longo do tronco, fora das algibeiras, a cabeça descoberta, o silêncio. O aprumo dos militares em formação, o ambiente frio e sombrio da sala, o corpo embalsamado, com focos de luz no rosto e nas mãos cruzadas sobre o abdómen.
Depois, entre hordas de visitantes, passeámos pelo palácio presidencial, pelas casas onde viveu e trabalhou HCM (primeiros os anexos do palácio, depois uma casa tradicional, sobre estacas, junto ao lago), a garagem com os automóveis, um Peugeot e um Moscovich, ofertas dos governos francês e soviético.

O Templo dos Escritores é uma espécie de campus universitário, o mais antigo do Vietname, onde enormes estelas suportadas em tartarugas contêm o nome e o destino dos alunos que nela estudaram os ensinamentos de Confúcio.

Um passeio de triciclo pela cidade velha. Ruas estreitas, sinuosas, cheias de gente, atafulhadas de comércio. Muitas cores, muitos cheiros, muito barulho. O dia incluiu ainda pagodes (nomeadamente o Pagode de um só pilar, um dos mais antigos e característicos da cidade), o museu etnográfico, e um espectáculo de marionetas na água. E a comida, que é excelente.







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