March 19th, 2008

rosas

arthur c. clarke's mysterious world

A morte, além do hálito pestilento, ainda deve ser muito forreta, pois aproveita sempre a viagem para levar vários passageiros.
Isto porque chega agora, também via net, a notícia da morte de Arthur C. Clarke, um dos grandes visionários ‘científicos’ do século passado, e autor de 2001: Odisseia no Espaço, o livro que inspirou o filme de Stanley Kubrick.
Para além dos dois livros de Clarke que li, o 2001, e a sequela, 2010, as minhas recordações mais vivas dele são do programa Arthur C. Clarke’s Mysterious World que, numa altura qualquer que não consigo precisar, passou na televisão portuguesa (e que recordei há pouco tempo através de uma divertida canção dos Divine Comedy).
Sempre tive a ideia de Clarke ser um tipo muito cool, excêntrico q.b., com uma visão do futuro muito equilibrada entre a segurança da ciência e um certo delírio visionário, e que lhe permitia oscilar entre a previsão científica e a pura fantasia. Seja como for muito do que é o mundo actual, da exploração espacial à Internet, passou pelas ideias ou pelos livros de Arthur C. Clarke.
Para essa minha ideia de coolness, também contribuiu o facto de Clarke viver no Sri Lanka há muitas décadas, na realidade desde que o país ainda se chamava Ceilão.
Arthur C. Clarke era, eu diria inevitavelmente, um ateu, ou pelo menos um agnóstico, e numa das suas tiradas mais célebres disse que o principal papel da humanidade no planeta tinha sido, não o de adorar deus, mas de o criar.
Em finais dos anos 90, por altura da sua investidura com um OBE, alguns tablóides britânicos fizeram uma campanha acusando Clarke de ser pedófilo. As acusações foram consideradas falsas, os jornais retrataram-se e Arthur C. Clarke considerou o desagradável incidente como um ataque à coroa britânica, por ter decidido distingui-lo, e não a si próprio.
São clássicos os rumores acerca da homossexualidade de Clarke, havendo mesmo quem considere ser esse um dos segredos mais conhecidos por toda a gente. No entanto Clarke nunca confirmou, e quando lhe perguntavam se ele era gay, respondia invariavelmente: “No, merely cheerful”!

O clip que se segue foi gravado por Arthur C. Clarke há poucos meses, em Dezembro, por ocasião do seu 90º aniversário e é uma pérola fantástica e deliciosa de sabedoria e humor.

rosas

this is just to say



THIS IS JUST TO SAY

I have eaten
the plums
that were in
the icebox

and which
you were probably
saving
for breakfast.

Forgive me
they were delicious
so sweet
and so cold.


- William Carlos Williams


O innersmile entra em modo de pausa, enquanto eu vou ali ao mundo passar umas férias e já volto.
Até já.