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quase
rosas
innersmile
Telefonei um dia destes a um antigo colega de trabalho a despedir-me dele e a desejar-lhe felicidades e sucessos. Apesar de sermos de áreas profissionais diferentes, e que em muitos casos se opõem, trabalhámos juntos durante muitos anos, alguns deles com grande proximidade. Em muitas ocasiões estivemos em posições antagónicas, tivemos discussões acaloradas, mas também conspirámos muitas vezes, acertando opiniões, pontos de vista e até estratégias de intervenção.
Tem sensivelmente a minha idade, e uma situação profissional estável, aliás tem uma profissão de grande prestígio social e com uma compensação financeira mais que razoável. Agora, num processo muito seguro mas que decorreu em meia dúzia de meses, decidiu ir para o Brasil (Minas Gerais), aceitando um desafio profissional que está ligado à sua formação profissional, e às funções que tem desempenhado nos últimos anos, mas que representa um corte profissional, significando abandonar uma carreira profissional, que, como disse, é das melhores que há.
Mal desliguei o telefone, depois de lhe desejar felicidades e de lhe manifestar que tenho a plena convicção de que vai ter sucesso, percebi que estava a sofrer um duplo e forte ataque de melancolia e de inveja! Como eu gostaria de ser capaz de mudar de vida, de deixar assim para trás a vida que sempre vivi, e ir começar tudo de novo noutro sítio. E logo no Brasil, que fica no hemisfério que eu mais gosto, o de baixo. Quase que consigo sentir a excitação de chegar a um sítio novo, aquela mistura de medo e excitação, de novidade e aventura, que nos deixa a pele toda arrepiada. Mas não consigo sair daqui. Falta-me não sei o quê (será coragem?) para ser capaz. Estou quase quase, como no poema de Sá-Carneiro, mas falta-me um pedacinho decisivo. Esse que me prende à minha vida. À única que sou capaz de viver.