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O problema com os nossos autores preferidos é que um dia morrem e já não publicam mais livros novos. Quer dizer, pelo menos depois daquele período em que editoras e familiares andam a rapar o fundo às gavetas das secretárias. Foi recentemente reeditado o Na Patagónia, do Bruce Chatwin. De cada vez que passo por ele numa livraria, pego-lhe, viro as páginas, leio as badanas e a contracapa, e sinto uma quase irresistível vontade de o comprar. Outra vez. Não é o meu livro preferido de Chatwin, mas foi o primeiro que ele escreveu, e é um livro que tem uma carga mítica muito grande. Lê-lo não é apenas ler-lhe as palavras e conhecer-lhe as histórias. É partilhar um sonho de evasão, uma espécie de revolução individual e íntima, mandar tudo às urtigas e partir. Partir, apesar de tudo e apesar de nós próprios. Acreditar na palavra errância, mais até do que na própria ideia da errância.
Tenho saudades de ler um livro do Bruce Chatwin. Claro, posso sempre reler os que tenho. Posso até comprar outra vez o Na Patagónia, nesta edição recente, e lê-lo de novo, até porque nunca o li em português, só em inglês. Mas do que tenho mesmo saudades é de ler um livro novo do Bruce Chatwin, aquela ansiedade com que voamos para a primeira página, o sabor a vir-nos à cabeça dos dedos, antecipando o que já conhecemos mas sempre à espera da aventura das coisas novas.