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there will be blood
rosas
innersmile
Grande filme, There Will Be Blood. P.T. Anderson é um realizador muito interessante, e este é o seu melhor filme. Aliás, o filme é uma obra-prima, aquilo que os americanos chamam um 'instant classic'. Tem o fôlego do épico, mas é sempre muito íntimo. Nunca se afasta da história que quer contar, mas pede para ser lido como uma metáfora. Passa-se na viragem do século XIX para o XX, mas escreve-se com as angústias e os percalços da modernidade. Abre-se para os grandes espaços, mas fixa-se sempre na cabeça e no coração de um homem. E além disso inscreve-se numa linhagem de grandes filmes, como The Giant ou Citizen Kane, não para os reproduzir, nem sequer para os rescrever, mas para reclamar deles o direito de que fazer filmes é também contar as histórias de que é feita uma nação.
Tudo no filme de Anderson faz sentido. Desde o longo prólogo sem palavras que nos dá a medida da personagem e a matéria de que é feita, ao epílogo à Orson Welles em que Daniel cumpre o seu destino, explodindo numa catarse de violência e paranóia, numa solidão ainda mais desesperada porque lhe falta, ao menos, 'rosebud'.
Mas se o filme é, todo ele, admirável, é impossível não destacar dois aspectos. O mais óbvio é a interpretação de Daniel Day-Lewis, subtil nos pormenores apesar do excesso da personagem. A voz de Daniel, personagem e actor, é impressionante; estamos sempre a tentar adivinhar pelo tom de voz onde está Daniel, mas esquecemo-nos de que Daniel é um mentiroso e a voz é o seu principal artificio (tal como no caso de Eli, outra interpretação espantosa de Paul Dano). O outro aspecto a destacar é a excepcional banda sonora de Jonny Greenwood, que dá ao filme espessura e densidade narrativa, funcionando quase como mais um actor em cena.
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