February 11th, 2008

rosas

it's showtime, folks

A primeira vez que eu me lembro de ter visto Roy Scheider no cinema foi em All That Jazz, o musical autobiográfico de Bob Fosse. Nessa altura, finais dos anos 70, por aí, Fosse já era um dos meus nomes míticos do cinema, e do show business em geral, muito por causa da fama (e do proveito) do filme Cabaret (e também, ainda que em menor escala, de Lenny). Antes disso Scheider tinha já uma mão cheia de sucessos, o maior deles talvez tenha sido Jaws, de Steven Spielberg, mas para mim ele será sempre Joe Gideon, o corpo e o rosto de Bob Fosse, naquele que é um dos meus filmes preferidos.
Claro que agora tenho o dvd em casa, e posso (re)ver sempre que me apetece, mas mesmo quando isso não acontecia havia coisas em All That Jazz absolutamente inesquecíveis. A sequência final da morte (bye bye life, I think I’m gonna die, numa versão adaptada do clássico de Simon & Garfunkel e dos Everly Bros.), o espantoso ritmo do filme marcado pela repetição de determinados planos (os comprimidos, as gotas nos olhos), a espantosa figuração da morte na bela (e estreante?) Jessica Lange, o número e a coreografia da air-otica, a coreografia que a filha e a namorada preparam para Joe no dia do seu aniversário, o momento stand up comedy com as cinco fases de aceitação da morte (que se torna recorrente no filme e marca designadamente a coreografia final).
Mas, agora que o conheço tão bem, o melhor do filme é mesmo o seu conceito, o facto de estar tão entranhado numa determinada concepção do espectáculo e da música popular (a da Broadway), e sobretudo o facto de ser um filme tão destemido, um filme em que Fosse não pede desculpas, antes explode com a energia e a voragem de uma estrela que é mais bela quando se prepara para morrer.
Bob Fosse morreria poucos anos depois de fazer All That Jazz, e de um modoantecipado no filme, ou seja com um ataque cardíaco. Mas de certo modo é só agora que morre, quando desaparece Roy Scheider, o corpo e o rosto de Joe Gideon, o homem que, de frente para o espelho, mas de facto de frente para todos nós, abria as mãos e dizia: "its showtime, folks!"