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3:10 to yuma
rosas
innersmile
Ah, bela coboiada que eu fui ver hoje, 3:10 to Yuma, realizada pelo James Mangold, o tipo que fez o Walk the Line, sobre o Johnny Cash e que a avaliar pela diversidade de projectos, deve ser assim uma espécie de operário para toda a colher lá dos estúdios de Hollywood. A verdade é que já tinha saudades de ver um western assim simples, sem ter pretensões a ser uma reflexão sobre a solidão, a culpa ou a morte da América profunda. Apesar de não ser grande espingarda (trocadilho intencional), o filme não desmerece das fitas de cowboys dos tempos áureos do género, gerindo com sentido do ritmo e da acção quer a iconografia do género, quer o desenvolvimento da acção. A única coisa que eu acho que poderia ter sido um bocadinho melhor foi a espera pelo comboio, com todo o peso da passagem do tempo e do cerco que se estava a instalar, mas ok não é John Ford quem quer.
Qualquer fita de cowboys que se preze vive do poder dos actores em fazer-nos acreditar que são o maior pistoleiro do oeste. O Russel Crowe está a igual a si próprio, ou seja modelo Gladiator, versão n. O Christian Bale está bem como sempre e também está bom como sempre. Surpresa surpresa foi ver o Peter Fonda, velho como uma roda de diligência, mas sempre com uma presença muito forte. Também como em qualquer western que se preze, os secundários são muito importantes, e este Comboio das Três e Dez tem alguns, nomeadamente o próprio Fonda, o Dallas Roberts, que entrou no Uma Casa no Fim do Mundo, e um tipo chamado Ben Foster, que faz um daqueles pistoleiros meios loucos e muito sádicos que no fim levam tantos tiros que parecem um passador.
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o ente querido
rosas
innersmile

Há já muito tempo que não lia um clássico de humor inglês, que foi, pelo menos durante uns tempos, há muitos anos, um dos meus géneros literários preferidos. Apesar de ser um dos mais famosos escritores ingleses (autor do conhecido Reviver o Passado em Brideshead), nunca tinha lido nada de Evelyn Waugh, mas a oportunidade surgiu agora porque as Edições Cotovia, através da chancela Livros da Raposa, estão a editar duas colecções de livros humorísticos (para além de Waugh, já foram editadas obras dos escritores P.G. Wodehouse e Nancy Mitford, que espero ler em breve).
Li então um dos clássicos de Evelyn Waugh, O Ente Querido (por sinal dedicado a Nancy Mitford), e que é uma farsa brutal sobre as diferenças entre os ingleses e os americanos, passada em Los Angeles, entre duas casas funerárias, a Whispering Glades, para seres humanos, e a Happier Hunting Ground, para animais. O humor, como se percebe, é negríssimo, os ingleses, emigrados para LA para trabalharem na indústria do cinema, são snobs com poucos escrúpulos, e os americanos são tolos ingénuos, a roçar a disfuncionalidade. Há um trio amoroso, que inclui os dois americanos, ‘morticians’ na Whispering Glades, a heroína justamente chamada Aimée Thanatogenos e o não menos justamente chamado Sr. Joyboy, o príncipe dos preparadores de cadáveres. O humor por vezes é selvagem, mas sempre muito elegante, e o retrato, das personagens mas sobretudo do seu meio e do american wat of dying, é mpiedoso mas sempre muito divertido.
Ajuda uma excelente tradução de Jorge de Sena, que garante que toda a riqueza do romance, nomeadamente o efeito cómico, está na linguagem, mais do que nas descrições. Enfim, trata-se de uma verdadeira jóia (para mais breve e ligeira) para quem gosta de humor, e sobretudo de humor negro.