?

Log in

No account? Create an account

the philadelphia story
rosas
innersmile
Revi um destes dias, em dvd, um dos clássicos de George Cukor, The Philadelphia Story, em português Casamento Escandaloso. Mais do que de uma comédia romântica, trata-se daquilo a que se convenciona chamar uma ‘screwball comedy’, um tipo de farsa em que o motor da acção é o sexo, ou, numa formulação conhecida, uma comédia sexual sem sexo, e onde se tenta provocar a moral estabelecida sem todavia esticar demasiado a corda. Muito do fascínio do filme de Cukor, e sem menosprezar a elegância e a segurança do toque do realizador, provém de um trio de actores genial: Kate Hepburn, Cary Grant e James Stewart (que, se não estou em erro, ganhou um Oscar com este desempenho); e, como é hábito neste tipo de comédias, dos diálogos rápidos, cheios de insinuações e mal-entendidos.
Em complemento do filme. o dvd traz um bom conjunto de extras, onde se destacam dois belíssimos documentários, com Cukor e com Hepburn, ambos assentes em entrevistas e que fazem uma análise das respectivas carreiras, filme a filme. Destaco especialmente o dedicado a Katharine Hepburn, não só por ser mais completo, mas sobretudo porque nos oferece mais acerca da mulher para além da actriz. Percebe-se que Kate, além de ser uma pessoa inteligente e culta, era uma sedutora, e é notável como, já com uma idade avançadíssima, continuava a lançar charme para a câmara, sempre com a clara consciência de que estava a falar para o seu público, para os seus fãs. Gostei particularmente das referências que Kate faz a Spencer Tracy; mais do que o amor da sua vida, Hepburn diz esta coisa bonita de que agradece a Spencer o facto de, por causa dele, ter sabido o que era o amor. A ligação entre os dois não é uma simples história de amor à Hollywood. Apesar de terem mantido a relação durante muitos anos, e até à morte de Spencer, nunca foram casados, basicamente porque Kate Hepburn sabia que o casamento de Spencer era demasiado importante para a respectiva mulher. Acho comovente esta coisa de uma mulher que era uma das mais importantes divas do cinema, que escolhia os filmes que fazia e com quem os fazia, numa época em que os actores eram basicamente propriedade dos estúdios que os contratavam, ter aceite sempre, e de forma discreta, ser relegada para o ingrato papel da adúltera, apenas por respeito à mulher cujo homem ela tinha roubado.
Tags: