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os melhores sketches dos monty python
rosas
innersmile
Fui ontem ver ao CAE da Figueira da Foz a adaptação que Nuno Markl fez d’Os Melhores Sketches dos Monty Python, com encenação de António Feio, e interpretação de alguns dos nossos mais populares actores de comédia: José Pedro Gomes, Miguel Guilherme, Jorge Mourato, Bruno Nogueira, além do próprio António Feio.
Claro que se passa um serão divertido, mas o espectáculo é um pouco desigual. Curiosamente os segmentos menos conseguidos, na minha opinião, foram aqueles em que Markl quase se limitou a traduzir o texto dos Python. O que não é de espantar, o humor tem um contexto sempre muito próprio, e o non-sense dos MP devia muito da sua eficácia à idiossincrasia dos ingleses; posto assim a nu num palco despido falta-lhe a centelha de alienação, o referencial de demência, que tornava o humor dos Python uma coisa fora de série.
O espectáculo ganha sempre em eficácia quando Markl descola dos originais e ganha o seu próprio ritmo e o seu próprio sentido. Estão neste caso alguns dos momentos verdadeiramente hilariantes da noite.
Pareceu-me, mas não tenho a certeza, de que o guião do espectáculo segue fundamentalmente o Live at The Hollywood Bowl. Os inserts de animação, tão típicos do próprio conceito da série Flying Circus, são necessários para ajudar a mudar as cenas e criar os interlúdios necessários. Se a opção pelo grafismo tipo heróis de jogos de computador é discutível, em termos de conteúdo achei conseguidos os finais, em que são os próprios bonecos dos actores a protagonizar algumas das cenas absurdas, do que os primeiros, mais despropositados.
Quanto aos actores, bom, são todos excelentes, e muito do espectáculo vive da sua histrionice. O que achei mais fraco foi o José Pedro Gomes, que me pareceu muito em piloto automático, e o melhor foi, indubitavelmente, o Miguel Guilherme, que tem um trabalho de composição aturadíssimo, mas que depois consegue cobrir com uma camada de espontaneidade, tão essencial para tornar o humor certeiro e irresistível.
Mas o que mais me tocou no espectáculo é conseguirmos perfeitamente perceber que se tratou de um verdadeiro ‘labour of love’ por parte do Nuno Markl, e que, mais do que uma simples tradução de texto, se trata de uma verdadeira homenagem, feita com carinho e reverência, como quando gostamos muito de um poema e não nos cansamos de o escrever com a nossa letra e de o dizer e repetir em voz alta.
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