?

Log in

No account? Create an account

o barbeiro de fleet st.
rosas
innersmile
Fim de semana passado na companhia de amigos queridíssimos. Um dos brindes foi podermos ver o filme Sweeney Todd, do Tim Burton, com, who else?, o Johnny Depp, a Helena Bonham Carter e o Alan Rickman. Que festa! Realmente estava escrito nas estrelas este encontro entre o musical de Sondheim e o gore excessivo e um pouco caricatural de Burton. Tanto um como o outro sempre recusam o óbvio, e a peça de Sondheim contém um elemento de maldade, mas uma maldade torturada, sofrida, atormentada, que faz tanto apelo a Burton.
Para mim não faz muito sentido falar em terror ou violência a propósito do cinema de Tim Burton. Não é por aí que eu adoro os seus filmes, mas pelo lado teatral e até um pouco caricatural, e, como é evidente, pelo desamparo em que sempre vivem os seus personagens, vítimas de um certo desajustamento, de uma dificuldade em se encaixarem no tráfico social dominante.
Quanto ao aspecto formal, Burton descolou definitivamente do naturalismo realista e hoje os seus filmes, quando não são projectos de animação, carregam-se do mesmo tipo de grafismo muito plástico (como em ‘artes plásticas’). Sweeney Todd é quase um filme a preto e branco, pelo menos na maior parte do tempo, e quase sempre que a personagem do barbeiro está em cena, muito na linha do anterior Corpse Bride. A violência é, como se esperaria, muito ao estilo ‘grand guignol’, com o sangue a espirrar e a derramar-se em manchas cromáticas muito bem definidas. É este exagero, aliás, juntamente com uma ironia particularmente cruel, que dão o tom de comédia ao filme.
Trata-se de um filme musical, e neste aspecto importa referir que o score de Stephen Sondheim está muitos furos acima (ou ao lado, já que se trata de uma liga completamente diferente) do que estamos habituados a ver em filmes e espectáculos musicais, com uma coerência e um arrojo que estão muito próximos da ópera, com a diferença de que é totalmente devedora da música popular. Fiquei com uma dúvida acerca da música que acompanha o genérico inicial: é sugestão minha ou aquela sequência era mesmo do Danny Elfman?
Tags: