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pomares carregados de fruta
rosas
innersmile
Das janelas da minha casa vejo o que resta (por enquanto?) de um vale de quintas e quintais. Também vejo um campo de futebol de terra batida e prédios tão feios e incaracterísticos como aquele onde moro. Mas agora que os dias estão a crescer e as manhãs nascem limpas de nuvens, mal chego à janela do meu quarto vejo mesmo em frente um pequeníssimo quintal e uma laranjeira carregadinha de fruto. Fica logo o dia uma promessa de luz, de cor, e de sumo!

Ontem, como se previa, a presença de Vítor Silva Tavares e Alberto Pimenta no Câmara Clara foi especial. Mais pelas histórias fantásticas o primeiro, mais, o segundo, pela fantástica capacidade de descodificar as coisas, reduzindo-as à sua essencialidade mais transparente. Durante a maior parte do programa, ou seja aquela parte que não tem agenda, que é só conversa, os dois dominaram, à vez, e ao ponto de passarem um ao outro a palavra sem intervenção da Paula Moura Pinheiro, a apresentadora que devia estar tão maravilhada como nós, a ouvi-los.
Lembrei-me de que houve um tempo, e apesar de eu ser velho não sou assim tão velho que já me tenha esquecido, em que o Alberto Pimenta tinha regularmente programas na televisão portuguesa. A sério, palavra de honra! Parece impossível, não parece?
Acho que o principal preço que Portugal pagou nestes últimos vinte e tal anos de desenvolvimento capitalista foi terem desaparecido do espaço público de intervenção aquelas pessoas que faziam de nós um povo mais culto, mais inteligente e, por paradoxo que pareça, mais cosmopolita e europeu.