January 17th, 2008

rosas

renfro

Apesar de ter sido uma criança-actor fez relativamente poucos filmes, e eu, que tenho a certeza de ter visto o seu primeiro filme (O Cliente, com a Susan Sarandon), apenas o recordo com nitidez num filme de 2001, Bully, de Larry Clark. Mas que recordação! No filme, Brad Renfro polarizava aquilo que me fascina nos filmes de Clark, e que é uma certa vertigem compulsiva, um olhar febril e obsessivo, que raia o voyeurismo. Um actor belíssimo, físico, com um rosto e um corpo que, por serem tão puros, parecem atrair para si toda a transgressão, mesmo a mais violenta.
Quando vi o filme de Clark, em Janeiro de 2004, escrevi esta nota: "é nessa parcela compulsiva que reside o interesse dos filmes do LC, ou, pelo menos, é aí que o seu olhar é mais transgressor. E isso é tão evidente na forma como a câmara de LC olha os seus actores, neste caso concreto o corpo de Brad Renfro, sempre à procura dos sinais que num corpo anunciam a sua própria morte e, por isso, o pulsar de vida que em cada momento o anima."
É nesta condição de no mesmo gesto prenunciar a morte e conter a vida que repousa a hipótese do divino. Como na fórmula de Pessoa, 'morre jovem o que os Deuses Amam', é nessa hipótese que se inscrevem os mitos. Brad Renfro morreu aos vinte cinco anos, provavelmente vítima da vida e da sua vertigem. Passa assim a ser o que sempre foi: um fulgor de luz.