January 6th, 2008

rosas

adeus, ó pacheco

Há-de ter sido por finais dos anos 70, uma altura em que eu tinha cartão de utilizador da biblioteca municipal (ainda ali por cima do refeitório do convento de santa cruz) e li, tenrinho, uma série de livros que não percebia e fiz a minha instrução da libertinagem: Henry Miller e Luiz Pacheco. E digo isto porque fui ali fazer o inventário (tenho 8 livros do Pacheco, quase todos em edições beras e não autografadas) e o primeiro, quer dizer o mais antigo livro do Pacheco que tenho é O Caso das Criancinhas Desaparecidas. Ora, a primeira coisa que eu me lembro de ter lido do Pacheco foi O Libertino Passeia por Braga, a Idolátrica, o Seu Esplendor, e lembro-me perfeitamente por causa da cena do engate ao magala e da cena de masturbação com o dedinho enfiado no cu. Pois, há coisas que não se esquecem. A última coisa que li do Pacheco foi o Diário Remendado, e pelo meio os Exercícios de Estilo (onde vem o referido Libertino), o folhetim de feição epistolográfica Pacheco versus Cesariny (continua a ser um dos meus livros preferidos, do Pacheco ou não), Uma Admirável Droga, Cartas na Mesa, Raio de Luar, e Os Doutores, a salvação e o Menino Jesus. Não sou um fã radical do Pacheco, mas não consigo deixar de comprar os livros quando neles tropeço e, consequentemente, de os ler. Acho que, entre todos os escritores que li, devo mais ao Pacheco, RIP, a subversão. A coragem de viver do lado de fora, que eu muito invejo, e a coragem de ser meio cobardolas, que eu tento praticar com afinco. A coragem de se ser um bocadinho sacanita mas ter medo que algum matulão nos parta os óculos. Foi sempre isto que eu mais aprendi com o Pacheco. E, suponho, e não obstante o gajo ter morrido, vou continuar a aprender.