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mysterious skin
rosas
innersmile
Há séculos, ou pelo menos há uns 10 ou 15 anos, que eu conhecia de nome o realizador norte-americano Gregg Akari sem nunca ter visto nenhum filme seu. Akari fou um dos nomes de ponta no surgimento daquilo a que se chamou o new queer cinema, no início dos anos 90, e os seus filmes eram bastante referenciados nos artigos que eu ia lendo principalmente em revistas estrangeiras. No final do ano passado estreou, finalmente, em Portugal um filme de Akari, que não passou em Coimbra como é óbvio, mas que pude finalmente ver em dvd!
E devo dizer que não só não me desiludiu nem um bocadinho, apesar das expectativas em alta, mas que valeu a pena a espera. Mysterious Skin, é esse o título, é um filme brilhante, feito com sensibilidade, inteligência, subtileza e sensualidade, sobre o grande tabu dos tempos actuais, ou seja a pedofilia. Não era nada fácil fazer um filme sobre esse tema, que é altamente perigoso de abordar, inclusivamente sob a perspectiva de uma obra artística como seja um livro ou um filme: tudo o que se possa dizer, ou se conforma ao lugar-comum do politicamente correcto, ou colide com uma estrita censura moral. A pedofilia, como fenómeno moral, social e jurídico, é muito recente e parece-me que ainda não aprendemos a lidar com ele, para lá do que tem de horror e indizível.
Por tudo isto, é espantoso como Gregg Akari consegue, como disse com inteligência e subtileza, tratar o tema, mantendo intacto um juízo condenatório, e provavelmente onde ele faz mais sentido, ou seja ao nível das fracturas que a relação pedófila provoca no desenvolvimento da personalidade, mas sem nunca cair no discurso simplificado da histeria social. E ainda por cima, consegue criar um personagem com uma inegável pulsão erótica, o que ajuda a baralhar mais ainda a reacção do espectador que olhe para este filme com interesse e abertura de espírito.
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