January 2nd, 2008

rosas

barcelona

«La leche buena toda em mi garganta»

Quatro dias noutra cidade à espera de um ano novo.
Barcelona esmagou-me, fiquei fascinado. Tudo a correr, claro, muito de passagem, que o tempo era breve. Mas há coisas inconfundíveis, e o ‘cheiro’ de uma cidade cosmopolita e aberta ao mundo é uma delas. Barcelona cheirou-me a Londres, a cidades onde se pode viver bem, onde os desesperançados encontram sítio onde poisar a cabeça. Mas de certa forma é ainda melhor, tem a praia (dia de ano novo fui à praia da Barceloneta, é o meu refrão), tem a abertura dos espanhóis (sim eu sei que são catalães) que nunca têm medo do ridículo, tem ópera que funciona todos os dias do ano, tem o ar descontraído de quem foi bafejado pelo clima.
E tem a arquitectura de Gaudi, e eu adorei a casa Milá, La Pedrera, e o seu terraço escultórico. Também tem Miró, mas eu, da Fundação, trouxe apenas as cores vivas da última fase. Tem La Rambla saturada de gente, o que é mau, mas também, o que é bom, cheiinha de rapazes bonitos, jovens magrebinos que olham com a pele macia e o cabelo cortado rente. Tem livrarias gay, como a da Carrer Josep Anselm Clave, que fazem sentir inveja da quantidade imensa de livros publicados em espanhol e em catalão, como uma edição dos Sinais de Fogo, de Jorge de Sena. Tem restaurantes onde se come demasiado caro para a qualidade, mas onde os empregados, e sobretudo as empregadas, nos provam que isso não tem importância nenhuma. Tem avenidas imensas, rasgadas, amplas, como a minha preferida, a Diagonal (porquê? porque sim, ora).
[E teve intermináveis passeios a pé, alguns noite dentro. E um reveillon passado num restaurante mexicano, e a Rambla cheia de gente e vidros partidos, e as ruas cheias de polícia e o metro cheio de gente às duas da manhã.]
E tem tanto tanto que ficou por ver, por ir, por experimentar, por provar, por sentir, por arrepiar, por temer, por sorrir, por cansar, por saber.