?

Log in

No account? Create an account

balanço IV - cinema
rosas
innersmile
O meu ano cinematográfico não foi bem fraquinho, foi mesmo miserável! Parte da culpa foi minha, que passei a maior parte do tempo sem me apetecer ir ao cinema, verdadeiramente dominado por uma preguiça doméstica subjugante. Mas a culpa não morre solteira, e muita da minha falta de vontade de ir ao cinema deveu-se também à pobreza do panorama cinéfilo de Coimbra. Dezasseis salas de cinema, em dois multiplexes instalados em centros comerciais, todas do mesmo distribuidor, valorizam mais a pipoca e a coca-cola do que propriamente os filmes que passam, e o resultado é uma programação sem um m+inimo de exigência em termos de qualidade, total desatenção a tudo o que não soe a blockbuster, filmes repetidos, uma overdose de filmes para a pré-adolescência, temporadas intermináveis com os mesmo filmes em cartaz. Salva-se deste panorama o Gil Vicente, que intercala no seu programa normal ciclos de cinema, mas, claro, concentrados em poucos dias e normalmente os filmes a passarem em sessão única. Claro que resta sempre o dvd, mas para mim o dvd funciona sobretudo como um reduto de cinefilia, para ver filmes antigos ou rever as fitas preferidas, e não tanto para descobrir e acompanhar as novidades.

Mas mesmo assim, dá para destacar alguns dos filmes que vi este ano. Os que mais gozo me deu ver foram os seguintes, por ordem alfabética:

- A Outra Margem, de Luís Filipe Rocha
- Blood Diamond, de Edward Zwick
- Control, de Anton Corbjin
- Eastern Promises, de David Cronenberg
- Fados, de Carlos Saura
- Flags of Our Fathers, de Clint Eastwood
- Hairspray, de Adam Shankman
- La Faute à Fidel, de Juliet Gravas
- Letters from Iwo Jima, de Clint Eastwood
- Little Children, de Todd Fields
- Scoop, de Woody Allen
- The Bourne Ultimatum, de Paul Greengrass
- The Good Shepherd, de Robert de Niro

benazir
rosas
innersmile
A morte de Benazir Bhutto é particularmente chocante e cruel por ser tão óbvia e esperada. Sou um ignorante em matéria de política internacional, mas sempre entendi o regresso de Benazir ao Paquistão em Outubro passado como a radical e desesperada e derradeira tentativa de virar a situação no país e fazer regressar a democracia. Uma espécie de ‘mato ou morro’, para o qual não havia terceira via, e que a obrigava a colocar-se a si própria no centro do tumulto, no olho do furacão. Suponho que nunca terá subestimado os seus inimigos, e que a morte era um risco mais do que plausível.
Benazir Bhutto foi uma das grandes figuras do meu tempo. Foi, na dobra do século, uma das mulheres que escreveu, num dos mais improváveis lugares para o efeito, a possibilidade de fazer política no feminino.