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partes de áfrica + balanço I - livros
rosas
innersmile
Há muito tempo que andava com vontade de experimentar a literatura de Helder Macedo, o que finalmente aconteceu agora com aquele que foi o seu primeiro romance, Partes de África.
Trata-se de um livro desconcertante, feito de crónica pessoal de carácter memorialístico, mas também de um ensaio sobre aspectos determinantes da colonização portuguesa em África, de um livro de viagens, e incorpora até aquilo que supostamente é um excerto de um livro (um Drama Jocoso), numa obra fragmentária que, apesar de escrita quase sempre em discurso directo, é sempre assumida pelo autor como um romance.
Apesar de por vezes parecer um livro ligeiro, nomeadamente por efeito do profundo e irónico humor do narrador, trata-se de facto de uma obra complexa, de muitos e subtis sentidos, permitindo tantas leituras quantas as formas de abordagem de cada leitor.
Agradaram-me particularmente os primeiros capítulos do livro, por visitarem a infância do autor / narrador (qual deles?) passada em Moçambique, e servidos por uma mão-cheia de episódios muito divertidos, soberbamente bem escritos, e que, ainda por cima, iluminam aspectos essenciais da administração portuguesa nas colónias.

Como o livro de HM me vai levar até ao final do ano, aproveito para abrir os balanços do ano, precisamente pelos livros. Tratou-se de um ano de muitas (enfim, tanto quanto é possível), muito variadas, e muito boas leituras. Óptimas, por sinal. Aqui vai, para efeitos de inventário e memória futura, a lista dos livros que li em 2007.

Armistead Maupin – Michael Tolliver Lives!
Bruce Chatwin – Utz (releitura)
David Leavitt – The Indian Clerk
Dennis Cooper – purosexo.com
Dostoievsky – O Jogador
E.M. Forster – Maurice
Jim Grimsley – Boulevard
John Le Carré – O Canto da Missão
Rhys Hughes – Nova História Universal da Infâmia
Tom Spanbauer – Agora ou Nunca
Woody Allen – Pura Anarquia

Augusten Burroughs – Running With Scissors
Augusten Burroughs – Possible Side Effects
Augusten Burroughs – Dry
Brigid Keenan – Diplomatic Luggage
David Leavitt – The Man Who Knew Too Much
G. H. Hardy – Em Defesa de Um Matemático
Gore Vidal – Point to Point Navigation
Gunther Grass – Descascando a Cebola
J. Humbert – Mitologia Grega Y Romana
John Chadwick – A Decifração do Linear B
Monty Python - Autobiografia

Eduardo Pitta – Cidade Proibida
Filomena Marona Beja – A Cova do Lagarto
Helder Macedo – Partes de África
José Eduardo Agualusa – As Mulheres do Meu Pai
José Eduardo Agualusa – Um Estranho em Goa
Machado de Assis – Memórias Póstumas de Brás Cubas
Rosa Lobato Faria – A Alma Trocada
Urbano Tavares Rodrigues – Ao Contrário das Ondas

Adelino Timóteo – A Fronteira do Sublime
Calane da Silva – Gotas de Sol
Custódio Vasco Duma – Verdadeira Confissão
Esperança e Certeza, Colectânea de Poesia
Júlio Carrilho - Nónumas
Nelson Saúte – Maputo Blues
Rui de Noronha – Os Meus Versos
Sebastião Alba – Ventos da Minha Alma
Sophia de Mello Breyner Andressen – Dual (releitura)
Mia Couto – idades cidades divindades

António Pires – As Lendas do Quarteto 1111
Francisco Noa – A Escrita Infinita
Frederico Lourenço – Valsas Nobres e Sentimentais
Frederico Lourenço – Caracteres
Jorge Silva Melo – Século Passado
Maria Antónia Oliveira – Alexandre O’Neill, Uma Biografia Literária
Miguel Lemos – A Caminho do Horizonte
Regina Echevarria e Lucinha Araújo – Cazuza: Só as Mães São Felizes
Zita Seabra – Foi Assim


Como escrevi lá em cima, foi um ano de muito boas leituras. De todos estes, os livros que me deu mais gozo ler, e que de certa forma mais marcas deixaram, foram The Indian Clerk, do David Leavitt (o livro do ano, a haver um), a biografia literária de Alexandre O’Neill pela Maria Antónia Oliveira, As Mulheres do Meu Pai, de José Eduardo Agualusa, e os poemas de Maputo Blues, de Nelson Saúte.