December 11th, 2007

rosas

o jogador

Gosto muito dos livros da Biblioteca de Editores Independentes, uma colecção de livros de bolso, misturando clássicos e contemporâneos, nacionais e estrangeiros, prosa, poesia e ensaio, que tem estado a ser publicada por três das mais interessantes editoras lusas, a Assírio e Alvim, a Relógio D’Água e a Livros Cotovia. São livros (relativamente) baratos, de pequeno formato, é claro, mas mesmo assim com uma mancha de página atraente.
Apesar de não me prender a colecções de livros (um contra-senso, os livros são para serem lidos e não coleccionados), sobretudo quando os títulos e os autores são tão diversos, acho piada a esta e tenho comprado. O problema é resistir à tentação de os comprar todos e ir adquirindo ao ritmo da leitura.
Já tinha lido dois (Machado de Assis e Agualusa) e estou a terminar mais um, O Jogador, de Dostoievsky. É o primeiro livro do escritor russo que leio e estou a gostar bastante. Bastante menos denso do que eu temia, o livro impressiona, acho eu, pela profundidade dos retratos humanos, e por uma certa aura de mistério (um mistério com o seu quê de trágico ou decadente) que rodeia os personagens.
Pessoalmente, o jogo não me seduz, nem percebo muito bem de que é que são feitas a dependência e a volúpia do jogador. Mas já me fascinam os abismos da alma, e chega a ser perturbadora a ideia de alguém colocar todo o seu futuro, toda a sua vida, numa volta da roleta. Há na maior parte das personagens de O Jogador uma dissipação, moral e material, que me é estranha. Mas acho absolutamente irresistível a personagem de Alexei Ivanovitch, sempre em equilíbrio instável entre o desprendimento material e a febre amorosa.