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innersmile
Faz hoje oito dias terminou a derradeira temporada da série Os Sopranos. Foi um final estranho, aparentemente um pouco abrupto, um daqueles finais não resolvidos, em que tudo parece encaixar, tudo tem uma solução. Um final, digamos, como o de Six Feet Under que foi brutal de tão bem feito, e nos deixou um nó na garganta; em que a vida na série dá-se por encerrada, fecha-se como a contracapa de um livro.
Não foi assim nos Sopranos. Os minutos a passarem, a gente a olhar para o relógio a pensar 'então isto nunca mais se resolve', a aparência de que fios narrativos se estavam a desenvolver, de que se ia passar qualquer coisa, e, de súbito, o ecrã negro e o genérico a passar. Sem uma explicação acerca do destino de Tony Soprano e da sua família. Ou melhor, sem um narrador omnisciente, de preferência em voz off, que nos explicasse tintim por tintim o que estava a acontecer. E no entanto…
No entanto foi o final perfeito! Toda esta série, penso que a sexta, se destinou a resolver, com um rigor obsessivo, a teia narrativa. Não a resolver no sentido de encerrar, mas no sentido de repor, de certo modo, os dados do jogo no momento em que tudo começou. Ou seja, não sei quantos anos e não sei quantos episódios depois, a vida de Tony Soprano está não exactamente no mesmo sítio onde estava no início da história, mas sobretudo no mesmo ponto: Tony a tentar perceber como é que há-de ser possível levar uma vida normal (uma vida, digamos assim, feita de jantares de família em snack-bars, a comer rodelas de cebola fritas e a beber coca-cola) quando essa vida assenta, como as fundações de uma casa, no crime e na lei do mais forte aplicada da maneira mais crua, sem punhos de renda. Ou seja, basicamente, como é que se pode ser feliz na América, para quem gosta de metáforas profundas.
Mas o que torna Os Sopranos na que é, possível e provavelmente, a melhor série de ficção de sempre da história da televisão, é o génio cinematográfico de quem a criou e realizou, com uma enorme simplicidade dos recursos narrativos, e a capacidade de manter sempre a história agarrada ao que é essencial, sem desperdício de ideias nem artifícios gratuitos.
Assim:
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