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ginjinhas com elas
rosas
innersmile
Tenho muita pena que a ASAE tenha fechado a Ginjinha do Rossio, se bem que eu, por razões que não domino inteiramente, seja mais freguês do Eduardino, que é um bocadinho mais ao lado, já na rua das Portas de Santo Antão. Já quanto às Bolas de Berlim da praia, temos pena, mas como a última vez que comi uma andei quatro dias de diarreia, por mim podem converter as vendedoras ao pão com chouriço ou à bolacha americana, que eu não me chateio.
Até ver, tipo até se provar que a ASAE faça parte de uma cabala corruptora para exterminar determinados ramos do negócio alimentar, não consigo deixar de sentir uma certa sensação de bem-estar por haver uns tipos que velam pela minha segurança alimentar. E não percebo bem porque é que se critica a ASAE. Quer dizer, há aí uns tipos que têm uma missão a cumprir e, ao contrário do que acontece em tantos outros sectores, fazem-no com competência, e a malta insurge-se toda porque eles são fundamentalistas (de quê? da bactéria?), que são mais papistas do que o Papa, que não sei quê.
Aqui em Coimbra, ali em frente ao parque verde da cidade, há uma série de prédios cuja construção está embargada porque as autoridades competentes demoraram demasiado tempo a perceber que o construtor tinha construído mais um andar do que aqueles para que tinha licença. Abespinhámo-nos todos, que isto é tudo a mesma coisa, que toda a gente faz o que quer, que os fiscais não fiscalizam, que estão comprados. No futebol, todos os dias há novos árbitros a serem considerados suspeitos de corrupção, toda a gente diz que não há verdade desportiva. Os tipos da ASAE cumprem aquilo que se espera deles e toca de lhes malhar por serem competentes
Devo dizer que não tenho amigos na ASAE. Aliás, devo até dizer que, no âmbito da minha profissão, já fui 'vítima' da ASAE que fechou um determinado serviço em relação ao qual eu tinha responsabilidades, por entender que ele não tinha condições. E fez muito bem, porque obrigou à realização de obras que eram há muito necessárias e que ninguém tinha vontade ou disponibilidade para financiar. Foi remédio santo, no dia seguinte o concurso para as obras estava na rua!
A ASAE não é uma polícia alimentar. Não é esse o seu papel, dizer-nos o que podemos ou não podemos comer. Tenho a certeza de que na decisão de fechar a Ginjinha ou proibir a venda das bolas de Berlim não houve nenhuma consideração acerca dos malefícios do licor de ginja ou do creme de ovos. Não é esse o papel do Estado. Ao Estado incumbe garantir que quem vende um produto alimentar o faz em boas condições sanitárias, ou seja que as condições em que o produto é manipulado e confeccionado e comercializado não são, por elas próprias, capazes de criar problemas de saúde nos consumidores que pagam para as consumir.
E neste aspecto dá-me algum conforto saber que há uma entidade pública fiscalizadora que não dorme em serviço. A ASAE faz diariamente dezenas de inspecções. Todos nós já comemos em restaurantes que foram inspeccionados. Sei que, por exemplo, a ASAE já inspeccionou algumas das mais conhecidas cadeias de fast food e que, do ponto de vista higio-sanitário, eram irrepreensíveis. Comer num ou noutro sítio, este ou aquele tipo de alimentação, é uma decisão individual. Compete ao Estado, enquanto responsável pela saúde pública, fiscalizar se esse consumo é feito em boas condições de higiene. Se o faz bem, óptimo.