November 16th, 2007

rosas

tertúlia com anjos

Em Dezembro do ano passado pus aqui um texto sobre o livro Os Anjos de Gabriel, da autoria de Francisco Corrêa. Recebi agora uma mensagem do autor, o que é sempre um pouco embaraçoso, porque escrevemos coisas, sem autoridade nenhuma, um pouco na suposição de que ninguém vai ler aquilo. De qualquer modo, é sempre agradável receber reacções, e imagino, também por isso, que para os autores deve ser bem agradável haver pessoas que referem as suas obras, que as leram, e que até se deram ao trabalho (e ao atrevimento) de porem on-line as baboseiras que escreveram sobre o assunto.

No seguimento do comentário, trocámos alguns mails e o Francisco Corrêa enviou-me um convite para uma tertúlia que vai ter lugar na Fábrica de Braço de Prata, em Lisboa, no dia 22 de Novembro, precisamente à volta do seu livro. Tenho muita pena de não poder assistir. É que para além do motivo da tertúlia, tenho ainda bastante curiosidade em conhecer esse espaço, sobretudo porque resulta da associação de duas livrarias que havia no Bairro Alto, a Ler Devagar e a Eterno Retorno. Eu adorava a Ler Devagar, claro que pela circunstância de ter à venda livros de fundo de catálogo, e pela possibilidade de encontrarmos livros muito inesperados, e na maior parte das vezes a preços inacreditáveis. Quanto à Eterno Retorno, que ficava um bocadinho mais abaixo, tenho de confessar que o que gostava mesmo era de lá ir beber um cházinho (sobretudo com o meu amigo António), já que se tratava de uma livraria especializada em filosofia, tema que me passa muito acima da cabeça.

Como não vou poder estar na tertúlia à volta do livro Os Anjos de Gabriel, divulgo aqui o convite para eventuais interessados. Relembro que o livro de Francisco Corrêa narra a busca de um homem que está a despedir-se da sua juventude, pela realização amorosa. O que na altura me marcou mais no livro foi o facto de a condição homossexual do personagem principal, não constituir qualquer espécie de barreira, social mas sobretudo mental, na tentativa de concretizar aquilo que ele próprio acreditava ser um direito ao amor e à felicidade. Acho que é um livro que não estando isento de fragilidades, é muito honesto, muito verdadeiro, e permite-nos a nós, leitores, confrontarmos os nossos sentimentos e mesmo as nossas perspectivas em relação à vida e ao que queremos fazer dela. E qualquer livro que nos permita aprender, e sobretudo aprender a ser, é sempre de leitura recomendada.



Para mais informações e localização: www.bracodeprata.org
rosas

hector

Há um feed diário de um dicionário (dictionary.com) disponível no livejournal, que eu subscrevi e que debita no innersmile uma word of the day, em inglês. É sempre uma oportunidade de aprender novas palavras ou de ficar todo inchado por já conhecer a palavra do dia.
Ontem a palavra era 'hector', um verbo, avançando com o significado de 'to bully'. Não me lembro agora da tradução 'oficial' de bullying, mas sabe-se que corresponde a um fenómeno de violência, frequente em meio escolar, em que basicamente os mais fortes abusam e arreiam nos mais fracos. Pelo menos no imaginário anglo-saxónico o bully corresponde a um tipo bem caracterizado, assim uma espécie de skinhead em ponto pequeno (ou não tão pequeno como isso). Desconheço, e ando sem tempo para investigar, as origens etimológicas deste hector sinónimo de bully.

Ora Hector é também o nome inglês de Heitor, um dos heróis da Guerra de Tróia, na Ilíada de Homero. Irmão de Paris, que precipitou o ataque dos gregos, Heitor não era um guerreiro, apesar de a sua bravura apenas ser suplantada pela de Aquiles. Heitor matou Pátroclo, e Aquiles matou-o a ele, arrastando o seu cadáver em frente às muralhas da cidade. A morte de Heitor foi o princípio do fim de Tróia.

Em 2004 Morrissey, depois de uma paragem de alguns anos, lançou o seu 'comeback album', You Are the Quarry. Para mim a canção mais bonita do disco foi The First of the Gang to Die. A canção é sobre Hector, um líder de um gang de pequenos ladrões, de ladrões de bairro. Hector é um silly boy, que roubou os nossos corações, e que era um verdadeiro bully: foi o primeiro a empunhar uma arma, o primeiro a cumprir tempo na prisão, e, naturalmente, foi o primeiro do gang a morrer.



«You have never been in love, Until you have seen the stars, reflect in the reservoirs
And you have never been in love, Until you have seen the dawn rise, behind the home for the blind

We are the pretty, petty thieves, And you're standing on our streets
Where Hector was the first of the gang with a gun in his hand
And the first to do time, the first of the gang to die, Oh my
Hector was the first of the gang with a gun in his hand
And the first to do time, the first of the gang to die, Oh my

You have never been in love, Until you've seen the sunlight thrown over smashed human bone

We are the pretty, petty thieves, And you're standing on our streets
Where Hector was the first of the gang with a gun in his hand
And the first to do time, the first of the gang to die, Such a silly boy
Hector was the first of the gang with a gun in his hand

And the bullet in his gullet and the first lost lad to go under the sod
And he stole from the rich and the poor and not very rich and the very poor
And he stole our hearts away
He stole our hearts away, He stole our hearts away
He stole our hearts away, He stole our hearts away»


[Só para que conste, é a segunda vez que ponho esta letra do Morrisey aqui no innersmile]