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in dreams
rosas
innersmile
«a candy-coloured clown they call the sandman»



Este excerto do filme Blue Velvet, com o Dean Stockwell (o adorável miúdo de Paixão de Marinheiro) a fazer o lip sync da canção In Dreams, se não mudou, pelo menos marcou para sempre a minha relação com o cinema e com a música.

No cinema, fez-me apaixonar pelo filme de David Lynch, e por muito do seu cinema. Quando o filme estreou, por meados dos anos 80, eu já conhecia o realizador por dois dos seus filmes anteriores, O Homem-Elefante e Dune, e pela fama de um outro, Eraserhead, que eu só veria mais tarde, quando comprei a vídeo-cassete numa viagem a Londres. Apaixonei-me por Blue Velvet desde as primeiras cenas, que é uma das minhas sequências de abertura preferidas. Apaixonei-me pelos actores, menos pela Isabella Rossellini, porque na verdade já estava apaixonado por ela, sempre estive. E apaixonei-me pelo cinema de Lynch, uma paixão que se reflectiria no filme seguinte do realizador, Wild At Heart, que teve uma epifania com o estonteante The Straight Story, e que, tenho de confessar, se perturbou muito com o mais recente cinema de Lynch.

Como disse, o filme de Lynch marcou-me ainda musicalmente. Para além da descoberta da música de Angelo Badalamenti, o compositor dilecto do realizador, Blue Velvet marcou a minha descoberta de uma das minhas canções preferidas, precisamente In Dreams, do Roy Orbison. Acho que se alguém me obrigasse a escolher a minha canção preferida, eu teria de escolher esta canção de Robison. É uma canção pop purinha, simples e orelhuda, mas que tem um dramatismo tão grande, dado pela voz lindíssima do Roy Orbison, uma voz única, com um timbre que, ao mesmo tempo, provoca uma imensa felicidade e uma magoada tristeza. Durante muito tempo, e ainda agora ocasionalmente, In Dreams é uma canção que inunda completamente a minha sensibilidade criativa, marcando e inspirando coisas que vou escrevendo ou apenas sonhando.

Mal vi o filme não descansei enquanto não descobri de que canção de tratava e quem era o dono daquela voz sublime, e claro que comprei o disco, ainda em LP, mas lhe pus a vista em cima. Aliás, fiquei de tal modo apaixonado pelo Roy Orbison que quando comprei, em 1988, com o meu primeiro ordenado, o meu primeiro reprodutor de cd’s, um discman portátil da Sony que ainda funciona, o primeiro cd que comprei foi precisamente do Roy Orbison, aquele que viria a ser o seu último disco editado, pois Orbison morreu precisamente quando estava a conhecer uma fase de apogeu tardio da sua carreira.
Nesse ano de 1988, o da sua morte, Orbison gravou um dueto com a k.d.lang (responsável por eu ficar a conhecer, e a apreciar tanto a k.d.), gravou um disco com novas canções, e ainda um concerto gravado ao vivo para a HBO, A Black and White Night, onde participam, como músicos, nomes maiores do rock americano e europeu, e onde há mais um interpretação fabulosa de In Dreams.



«A candy-coloured clown they call the sandman
Tiptoes to my room every night
Just to sprinkle stardust and to whisper
Go to sleep, everything is all right.

I close my eyes, then I drift away
Into the magic night, I softly say
A silent prayer like dreamers do
Then I fall asleep to dream my dreams of you.

In dreams I walk with you, in dreams I talk to you
In dreams youre mine, all of the time were together
In dreams, in dreams.

But just before the dawn, I awake and find you gone
I cant help it, I cant help it, if I cry
I remember that you said goodbye

Its too bad that all these things, can only happen in my dreams
Only in dreams in beautiful dreams.»