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mark kozelek
rosas
innersmile
No Sábado, dia 27, à noite, fui ao Santiago Alquimista assistir a um concerto do Mark Kozelek. Tenho de começar por afirmar que não o conhecia. Passei um pouco ao lado daquela onda a que chamaram, nos anos 90, slowcore, de que fazia parte a banda de Kozelek, os Red House Painters (vi, aí por alturas de 96, um concerto dos Spain, na Aula Magna, e acho que a minha digressão maníaco-depressiva se ficou por aí).
O Kozelek fez um concerto quase a solo, o 'quase' é porque durante parte do concerto teve a acompanhia em palco de um guitarrista, que não apresentou, e em que desfiou canções dos RHP, do projecto Sun Kil Moon e dos seus discos a solo. Foram quase duas horas de canções belíssimas, tocadas de forma muito subtil mas com uma riqueza de filigrana, e cantadas com uma voz evocativa e irremediavelmente atravessada por uma angústia melancólica. Como eu não conhecia, estas coisas têm sempre o sabor das descobertas, dos sabores que se provam pela primeira vez.
As características do SA adequam-se muito a este tipo de concertos, propiciando um grau de intimidade entre músico e público, acentuado pelo envolvimento do varandim.

Na primeira parte actuaram os portugueses Sean Riley & The Slowriders, a quem, em termos gerais, correu bem a prestação.

Depois do concerto, e depois de uma ida ao Chapitô comer tostas, experimentei a sensação de ficar fechado naqueles espaço de Lisboa cujas ruas são de acesso limitado e controlado por pins automáticos. A verdade é que consegui entrar, porque o pin estava em baixo e o semáforo intermitente, mas depois não consegui sair porque o pin estava fechado! Ainda pensei abandonar o meu carro à sua (dele) sorte e vir-me embora a pé, mas depois pensei melhor e decidi ser solidário, razão porque escrevo este post dentro do meu carro, estacionado debaixo de umas árvores num largo em frente a um quartel da GNR (ou whatever), onde tenho vivido nos últimos três dias. E como estava isolado do mundo por pins camarários nem dei pela mudança da hora pelo que a juntar ao confinamento espacial, estou igualmente recluso de uma fracção temporal onde só existo eu e os relógios de pulso esquecidos nas gavetas por falta de uso.
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