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Um voo rasante pela melhor loja de revistas que eu conheço, a que fica à entrada de um centro comercial decrépito na Praça dos Restauradores, em Lisboa, deu óptimos resultados: a Details de Novembro, a Attitude, que afinal ainda se publica e que continua a ser o magazine gay mais divertido, a Time Out Lisboa da semana passada (que publica uma carta de um certo leitor de Coimbra a protestar pelo facto de a revista só estar à venda na capital), e a Photo, que eu já não comprava há muito tempo (se eu disser 'há séculos', provavelmente não é uma figura de estilo, acho que neste século ainda não tinha comprado nenhuma!)
A razão porque comprei a Photo foi porque fiquei muito entusiasmado com várias referência que fui vendo, sobretudo em blogs, a um ensaio de David LaChapelle sobre o dilúvio versão aquecimento global, que é realmente fabuloso. Passei, quase sem me deter, umas horripilantes fotos tiradas por Olivero Toscani a uma mulher anorética. E digo horripilantes, porque há nestas fotos qualquer coisa de inumano, como se a ausência de carne tivesse como consequência a ausência de espírito. Porque a meus olhos é isso que está naquelas fotos, um corpo desprovido de folêgo, de sopro, de alma. Uma carcaça.

Mas a verdadeira razão de eu ter comprado a revista descubro-a já esta noite, deitado no sofá, a desfolhá-la. Ainda com a embalagem das magníficas e sugestivas fotos de LaChapelle, chego a um ensaio de fotografias aéreas sobre Àfrica, da autoria de Michael Poliza. Logo a primeira, a ocupar as duas páginas, é de uma aldeia piscatória: palhotas frágeis, pequenos barcos à vela (recolhida), um mar de um azul indefinível, as pessoas, miniaturais, na praia ou nas ruas da aldeia, umas alheias na sua vida, outras voltadas para o ar, atraídas, sem dúvida, pelo meio de transporte onde o fotógrafo se fazia transportar.
Neste momento, estou já seduzido e totalmente mergulhado na observação dos pormenores da aldeia, nas pessoas, nas ruas, nas casas sem tecto, no azul do mar, na escassa mas verdíssima vegetação. Lembro-me, então, de espreitar o canto superior direito, a legenda da foto. Trata-se da ilha de Vamizi, uma das 27 do arquipélago das Quirimbas, na província de Pemba, no norte de Moçambique. Como digo lá atrás, havia afinal uma razão muito forte que me fez pegar nesta revista depois de tantos anos sem a comprar. Estava insuspeitadamente ao virar da página 48.