?

Log in

No account? Create an account

time out
rosas
innersmile
No fim-de-semana passado comprei, em Lisboa, a edição portuguesa da Time Out, cuja edição original londrina é, na minha opinião, o paradigma das revistas tipo guia de espectáculos e actividades culturais. Por ser rigorosa e completa, naturalmente, mas também por ser irreverente, com um toque subversivo, não alinhada, anti-conservadora (e levemente esquerdista), e inequivocamente urbana, no sentido em que dá igualmente atenção à rua e à vanguarda.

Tendo lido apenas um número da Time Out Lisboa, gostei muito do conteúdo, achei-o ao nível, digamos assim. Apesar de termos, mesmo na capital, uma vida cultural que, não sendo propriamente pobre, é mais remediada do que rica, surpreendeu-me a extensão e a diversidade das listagens típicas da Time Out. Se o projecto vingar, suponho que a quantidade da informação tenha a tendência a crescer, pois sempre se vão afinando os mecanismos de fazer essa informação chegar à revista.

Um aspecto que achei muito significativo, e que a Time Out, com a sua tendência de querer abarcar tudo, põe em evidência, é a quase total ausência de prática cultural e artística que fuja aos circuitos estatais e puramente comerciais. Em Portugal, conclui-se pela leitura da revista, só há cultura feita (ou proporcionada, enfim) pelo Estado ou pelos agentes empresariais. Na secção de cinema, por exemplo, e a exemplo, e a exemplo do que acontece na matriz londrina da revista, a tentativa de apresentar uma subsecção de circuito não comercial, esgota-se inteiramente na programação da cinemateca. Na música clássica há, é claro, a Gulbenkian. As únicas áreas culturais onde há oferta significativa com algum carácter institucional, são as artes plásticas e a museológica.

Infelizmente a distribuição da Time Out Lisboa parece estar circunscrita à própria capital. Pelo menos, eu nunca a vi à venda em Coimbra. E não se percebe bem porquê, porque independentemente das listagens, que se referem exclusivamente a acontecimentos em Lisboa, há toda a parte de magazine de arte e cultura cujo interesse extravasa, como é óbvio, o círculo da capital. É o que acontece, por exemplo, com os suplementos de cultura dos jornais que, sendo de distribuição nacional, se focalizam sobretudo no que vai acontecendo em Lisboa e no Porto.

Mas mesmo em Lisboa senti uma certa dificuldade em encontrar a revista à venda, não a encontrei em nenhum dos quiosques onde a procurei. Ora, uma das características da Time Out é a sua disponibilidade, a possibilidade de a adquirirmos para nos ajudar a tomar uma decisão súbita sobre o que fazer ‘logo à noite’. Tem de estar disponível, à mão. Até porque o preço, dois euros, não sendo uma pechincha, também não é propriamente caro, pouco mais do dobro de um café e ainda menos do que um maço de cigarros.

Em suma, acho que haver uma edição em português da Time Out dedicada a Lisboa, com a qualidade da original londrina, é uma excelente notícia e enriquece o próprio universo cultural lisboeta. Talvez seja preciso é torná-la mais disponível e, de preferência, distribuí-la em todo o país.