?

Log in

No account? Create an account

goya's ghosts
rosas
innersmile
Não percebo porque é que um pouco por todo o lado, mas sobretudo na Europa, Goya’s Ghosts, o último filme de Milos Forman, produzido e filmado em Espanha, levou tanta pancadinha dos críticos. É óbvio que o filme tem algumas fragilidades, sobretudo ao nível do argumento (da autoria de um monstro do cinema, Jean-Claude Carriére, argumentista de Buñuel, entre muitos outros), cujo excesso de melodrama e de coincidência compromete a verosimilhança do filme e a sua eficácia. Mas apesar de tudo estão presentes algumas marcas de grandeza, sobretudo no plano formal. Forman, com uma admirável fotografia de Xabier Aguirresarobe, enquadra com muito sentido pictórico e com notável intensidade dramática, e alguns planos e sequências (estou-me a lembrar da sequência do fabrico das gravuras em metal, ou no conclusivo plano final) são daqueles que nos afagam o cérebro.
Infelizmente, as interpretações também estão do lado das fragilidades, sobretudo a Natalie Portman, tão mal aproveitada que faz dó, e o Javier Bardem, que parece nunca acreditar muito no que está a fazer e então liga o piloto automático.
Em suma, trata-se de um filme evidentemente menor, mesmo frágil, mas que mesmo assim, e não fossem alguns irritantes desenvolvimentos do enredo, se vê com agrado e com interesse.
Tags: