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1111 + allen
rosas
innersmile
Li em meia dúzia de horas o livro de António Pires (que tem um blog, raizeseantenas.blogspot.com) As Lendas do Quarteto 1111 (ed. Ulisseia) que relata, em pouco mais de uma centena de páginas, o essencial da história do mítico grupo português que salvou a honra da música pop portuguesa ali na dobra da década de sessenta para a de setenta.

O livro assenta numa série de entrevistas aos principais protagonistas da aventura do 1111 (músicos, técnicos, produtores) e cumpre exemplarmente a sua missão de traçar um retrato cronológico do que foi a história do grupo, o seu papel no panorama da cena musical portuguesa, a sua inserção nos vários contextos culturais e políticos ao longo da sua existência. É, assim, uma excelente biografia quer do próprio grupo, quer dos seus protagonistas, cujos percursos não se esquece de acompanhar, nomeadamente quando se afastam do Quarteto.
Tendo em atenção que o José Cid, sobretudo, mas também alguns dos restantes membros do 1111, foram dos principais pólos da cena pop nacional durante os anos 70, este livro fazia falta e revela-se essencial para fazer e perceber a história da música portuguesa durante um período importante.

Dado que, como já referi, o livro se estrutura essencialmente em entrevistas, a maior parte delas em discurso directo, não se pode acusar o livro de ser parco documentalmente. Mas poderia ser um pouco mais rico no acervo fotográfico e iconográfico, uma vez que, dado o tempo que já passou, estes materiais são sempre raros e muito interessantes.
Por outro lado, o livro poderia investir um pouco mais na análise musical da obra do Quarteto, mas percebo que não seja esse o seu escopo. Com efeito, trata-se sobretudo de um registo biográfico, mais do que um ensaio crítico.

Em suma, trata-se de um livro indispensável, quer para quem tem memória das canções do Quarteto 1111, quer sobretudo para quem quer conhecer melhor a história da música pop portuguesa, e de particularmente de uma página importante dessa história. E ainda por cima é escrito num português escorreito e levezinho, de agradável e divertida leitura.

E há ainda um outro aspecto em que acho o livro muito oportuno: como se sabe houve recentemente uma certa onda revivalista do José Cid e das suas canções. Muito desse revivalismo, contudo, teve um certo tom sarcástico (algures entre o paternalista e o avacalhante) em que o Cid era assim uma espécie de pimba pré-histórico. Ora o respeitinho é muito bonito, e o livro de António Pires cumpre ainda essa função de restituir ao José Cid a importância e a dignidade que ele merece.



Entretanto, tenha também andado a ler Anarquia Pura, uma colecção de contos de Woody Allen. É curioso, porque li na época ‘certa’ os famosos livros de contos de Allen, Para Acabar de Vez com a Cultura e Sem Penas, e tenho deles realmente uma recordação com o seu toque de mítico, de grandes obras de humor, com a mistura adequada de delírio, absurdo e sarcasmo. No entanto, tem-me custado muito ler estes contos do livro novo. Nem consigo decidir se são eles que são fraquitos ou se sou eu que estou insonso, mas seja como for só ainda não pus o livro de lado porque como se trata de textos curtos sempre dá para ir lendo um contito de vez em quando.
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