September 26th, 2007

rosas

os pólice

Só houve duas coisas que não correram muito bem no concerto ontem dos The Police no Estádio do Jamor (que eu não conhecia e achei lindíssimo, uma arquitectura típica Estado Novo, mas que é leve e muito bem integrada no espaço envolvente), e nenhuma delas pode ser imputada à banda de Sting.

A primeira é que estava um frio do caraças, sobretudo para quem, como eu, chegou muito cedo ao estádio (o lado positivo foi que, segundo li, à hora de inicio do concerto ainda estava muita gente engarrafada a tentar chegar e estacionar).
A segunda é que, apesar de eu ter chegado cedo ao estádio, cheguei tarde ao concerto. De facto, cheguei vinte e sete anos atrasado! Tinha feito mais sentido ter estado no concerto que os The Police deram no vizinho estádio do Belenenses em 1980, quando a sua música fazia parte essencial da banda sonora das nossas vidas. Talvez porque estivesse tanto frio, a cena da nostalgia não me tocou, e só o meu corpo, quando eu dançava (enfim…), é que se lembrava bem do balanço da música de Sting e dos seus parceiros.

Tirando isso, foi um concerto irrepreensível, em que, apesar da embalagem obrigatoriamente impressionante de som e luzes, a música esteve sempre no lugar principal. Tocando com a desenvoltura técnica de quem sabe o que anda a fazer há muito tempo, os três músicos deram um espectáculo feito em absoluto de canções, de canções muito boas e inesquecíveis, conseguindo dar-lhes roupagens luxuriantes mas mantendo sempre a simplicidade que permitia ao público aderir de imediato. Numa época de tanto fogacho, de tanto fogo de artifício (e atenção, que eu adoro toda aquela cena larger than life dos grandes concertos de estádio), de tanto recurso tecnológico, soube bem assistir a um concerto de estádio sempre focado na música e nas canções.
Numa carreira que teve tantas e boas canções, era difícil conseguir um alinhamento que não deixasse de fora os principais êxitos do grupo, mas que também não parecesse uma daquelas cassetes de super-êxitos que havia quando os Police foram famosos da outra vez. E a verdade é que o alinhamento foi perfeitamente conseguido, sempre bem embalado, sem nunca deixar as coisas morrerem.

Só mais duas notinhas. A primeira é para a mania do pessoal chamar à banda 'os pólice'. Mas é que tudo, rádio, televisão, o pessoal, tudo!, falava nos pólice! A maior parte das pessoas sabe falar inglês e tenho a certeza de que quando se referem à polícia não lhe chamam a 'pólice'. Os 'poulice' já é aceitável, 'os palice' está quase lá, mas 'pólice'?!

A segunda nota vai para o melhor do concerto, que foi eu ter ido com a minha babe prefirocalar. Foi tão bom que ficámos os dois, como se pôde comprovar pela entrada anterior, 'oh so blue'.