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chuck and larry
rosas
innersmile
Fui ver I Now Pronounce You Chuck And Larry (Declaro-vos Marido e Marido) com a maior desconfiança, mas alguns comentários despertaram-me curiosidade, ligada ao contexto gay do filme. E diga-se que o filme me pôs bem disposto, e que achei a sua perspectiva bastante positiva.
Ok, nada ilude o facto de estarmos perante uma comédia do Adam Sandler e do que isso significa: um humor a roçar a boçalidade e o mau-gosto, cujos dois principais factores são, por um lado, cus-&-mamas e, por outro, peidos-&-arrotos. Estão ambos presentes, mas nesse aspecto o filme é totalmente desprovido de piada, um humor muito débil. Não sou grande conhecedor das comédias de Sandler, mas suponho que este filme não andará muito longe do pior que ele tem feito.
Mas, e então? A primeira coisa que me chamou a atenção foi o facto de um dos argumentistas do filme ser o Alexander Payne, que realizou duas comédias fora de vulgar, About Schmidt, com Jack Nicholson, mas sobretudo a brilhantíssima Sideways, com o Paul Giamatti.
Claro que gostei do facto de o olhar que o filme deita em relação a um certo ‘universo-gay’ (as canções, os hábitos, os dramas) ser muito benévolo e divertido. Claro que está lá todos o clichés da ‘bixarada’, mas isso parece-me não tanto um defeito do filme, mas realmente as marcas determinantes de certo estilo de vida que, para o melhor e para o pior, consagra determinados lugares-comuns, provavelmente com o intuito de criar referentes identitários. O filme não consegue evitar um certo tom politicamente correcto, mas convenhamos que uma comédia comercial de multiplex não é propriamente o lugar onde vamos à procura de activismo queer!
Mas o aspecto mais interessante do filme é também o mais subtil: a asserção de que a aceitação da diferença (neste caso homossexual) faz-se a partir de um radical de intimidade, familiar, social ou profissional, por ser o único que consegue destruir, por dentro, o preconceito (homofóbico).
Para além dos inanes apontamentos de comédia à Sandler, e dos clichés mais identificáveis com o gay life-style, o filme tem algumas soluções engraçadas, como a personagem do Ving Rhames (precisava de ser apenas um bocadinho mais contido depois da saída do armário – o que nos leva à questão curiosa de ter no filme um armário a sair do armário!), a participação do Richard Chamberlain ou o cameo (disfarçado e não creditado) do Rob Schneider.
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